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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Vampire Weekend e o pai da noiva

4 de junho de 2019
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Os Vampire Weekend, banda de Nova Iorque formada em 2006, foi uma das primeiras a alcançar os tops fruto da divulgação massiva nos blogs musicais da internet.

Os álbuns “Vampire Weekend” de 2008, “Contra” de 2010 e “Modern vampires of the city” de 2013, catapultaram o grupo para um grande sucesso, com entrada direta para o nº1 do top US Billboard 200, no caso dos 2º e 3º discos, a reboque de uma inspiração afro pop, Simon & Garfunkel e indie rock.

6 anos após o excelente “Modern Vampires of the City” os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, regressam às edições (Maio de 2019” com “Father Of The Bride”, 4º disco de originais, 18 temas, álbum duplo, o 1º editado através de uma major, a Columbia Records, de novo com entrada direta para nº1 do top Billboard, trabalho de grande diversidade musical e contrastes entre uma escrita ora obscura ora direta e uma identidade sonora que transmite luz, alegria e uma nova vida.

Rostam Batmanglij, um dos cérebros dos Vampire Weekend, multi-instrumentista e anterior produtor do grupo aventurou-se em carreira a solo (aparecendo no entanto como um dos produtores deste novo trabalho) e Ezra Koenig assumiu papel de principal protagonista, passando a ser a força motriz de um projeto muito centrado em si, vocalista, guitarrista e compositor, que durante este longo hiato constituiu família com a atriz Rashida Jones, lançou uma série de animação no Netflix, continuou a apresentar o programa Time Crisis e co-escreveu Hold Up de Beyoncé.

Os Vampire Weekend que entretanto se estabeleceram em Los Angeles, desenvolveram com sucesso o cruzamento dos ritmos africanos e um pop rock alternativo e adocicado, consolidam e amadurecem em “Father of the bride” algum experimentalismo exibido no álbum anterior. As participações especiais de Steve Lacy dos The Internet em dois temas e de Danielle Haim em três, ajudaram igualmente o grupo a apresentar um trabalho geral mais heterógeneo e complexo.

A utilização de cordas exuberantes e teclas experimentais remetem-nos à pop dos anos sessenta, exemplo claro no excelente tema e single “Harmony Hall”.

Já “Big Blue” é um maravilhoso acústico íntimo à George Harrison. Depois, bem mais exuberantes, canções como “Married In A Gold Rush”, “This Life” e “Sympathy”, frenéticas e cheias de funk/groove, comprovam a tendência e o à vontade da banda nos ritmos e sonoridades tropicais/afro.

No meio de toda esta diversidade e ecletismo que inclui rock progressivo dos anos setenta e folk americano, de referir ainda a incursão na modernidade através de uma eletrónica minimalista, sem qualquer perda orgânica, evidenciada em “2021”, um pequeno trecho íntimo, baseado num sintetizador barato e numa guitarra com chorus, dobrado depois com fuzz e em “Unbearably White” tema sobre o racismo e a forma cínica como o mesmo é hoje tratado numa América dividida.

Álbum obrigatório e altamente recomendado.

Dia 12 de julho actuam no Nos Alive (final da tour europeia 2019)

Vão bem os Vampire Weekend!

Vai muito bem o pai da noiva!

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