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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Ty Segall não pára quieto!

6 de fevereiro de 2017
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Ty Segall começou por se fazer notar e granjear alguma fama em 2005, como vocalista dos Epsilons, banda californiana de garage rock e new wave, mas que apesar dos tiques retro “jogava” muito no território dos Strokes, White Stripes, Cramps, Wire ou Devo.

Com o final dos Epsilons, Ty Segall seguiu rumo sozinho e começou a criar álbuns de lo-fi, tendo o seu primeiro registo editado sido lançado em 2008. No álbum seguinte, “Lemons”, Segall apresentou um som mais tradicional, recriando sonoridades de guitarra dos anos 60 e preenchendo os temas com um largo reverb “old school”, como se surf music se tratasse.

O resultado discográfico destas primeiras edições, nos últimos anos da primeira década do séc. XXI, colocam Ty Seagall próximo dos mestres do som de garagem The Sonics and the Standells e dos Stooges.

O artista, que ainda não completou 30 anos, é tão prolífico que chega a editar dois ou mais trabalhos por ano. Incrível para um músico vindo da área do garage rock. O ano de 2011 foi ocupado por Segall com a edição de dois álbuns próprios, “Live in Aisle Five” e “Goodbye Bread”, bem como de um EP de covers de T-Rex “Ty-Rex”.

“Goodbye Bread” revelou-nos um artista mais soft, evocando porventura John Lennon e assumindo uma faceta mais calma e introspetiva do compositor intérprete.

Em 2013 foi lançado o álbum estreia do seu projeto lateral Fuzz, no qual tocou bateria em vez de guitarra. Com os Fuzz, não há melhor nome para ilustrar o som relacionado com Ty Segall, haveria de tocar em Paredes de Coura 2015 com grande sucesso e enchente. Ty Segall tem muitos seguidores em Espanha e Portugal e, também por isso, desta feita em nome próprio regressou aos Palcos lusos no Primavera Sound 2016.

Ainda em 2013, mostrou uma nova faceta em “Sleeper”, um disco exclusivamente de baladas acústicas.

Sem descanso regressa ao estúdio e lança em agosto de 2014 “Manipulator”, com 17 temas.

Em 2015 são editados dois álbuns ao vivo, o segundo disco dos Fuzz e mais qualquer coisa que acaba sempre por se vir a saber.

Em 2016 “Emotional Mugger” é a fonte para uma longa tournée em todo o mundo e eis que chegamos a 2017, obviamente com novo trabalho de Ty Segall logo a abrir o ano, gravado no estúdio de Steve Albini (Nirvana) e com a banda completa (o que nem sempre aconteceu).

Este homem infinitamente prolífico, que não se cansa, tem nos seus interesses algo que vai para além de simplesmente produzir mais e mais músicas de um mesmo estilo. Embora não haja dúvidas sobre as suas ferramentas musicais preferidas, as guitarras distorcidas e vocalizações sobrepostas, ele coloca no caldeirão musical um mix de blues, psicadelismo, punk, metal e pop legendadas por histórias que vão da assombração às paródias brincalhonas.

Neste último disco acabado de ser lançado e, pela segunda vez, auto-intitulado “Ty Segall” recupera e carrega nas distorções mais exageradas, como havia feito em “Manipulator” e que tanta gente intoxicou no bom sentido. Se continuamos ali a reconhecer um som que deve algo a Black Sabath, aos Grateful Dead, White Stripes e até aos Ramones ou a Lemonheads, é talvez nos temas mais intímos, onde o fuzz não se destaca, que estão os melhores momentos de “Ty Segall82017 álbum)”, ao estilo Elliot Smith como em “Talkin”, “Orange Color Queen” e “Papers” num esquema muito Beatles / Byrds.

Ty Segall não pára quieto. Ainda bem!

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