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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
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The Cure: 40 Anos

7 de agosto de 2018
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No passado dia 7 de julho tivemos a oportunidade de assistir ao concerto comemorativo dos 40 anos de carreira dos Cure, no Hyde Park, em Londres.

Robert Smith e os seus companheiros do line-up atual, Simon Gallup, Reeves Gabrels, Roger O’Donnell and Jason Cooper, encerraram o dia que teve ainda concertos de aquecimento de bandas convidadas como Interpol, Editors, Goldfrapp, Slowdive, Ride e Twillight Sad, entre outras.

The Cure e Robert Smith são uma das bandas e figura mais bem sucedidas de sempre da música pop rock mundial, numa área menos mainstream e razoavelmente distante de mexericos e capas de revista.

Originários dos resquícios do punk de meados dos anos 70, numa análise que os colocaria ao lado de nomes como os Joy Division/New Order, Echo and the Bunnymen, Bauhaus, Smiths e Gang of Four, dificilmente algum deles se poderia considerar tão triunfante ao longo de quatro décadas.

Não é só pela durabilidade mas sim por manter a bitola tão elevada dos seus discos desde a estreia com “Three Imaginary Boys” (1979), passando por “Seventeen Seconds” (1980), “Faith” (1981), “Pornography” (1982), “The Top” (1984), “The Head on the Door” (1985), “Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me” (1987) e “Disintegration” (1989) para não ser mais exaustivo.

Depois, a música dos Cure carrega ao longo destas 4 décadas algo que lhe confere um carácter eterno e aquela personalidade distinta e imediatamente identificável em alguns predestinados e que é o timbre vocal de Robert Smith. Timbre limpo, meio chorão, único, sem harmonias ou outras vozes de apoio, afinado, permanecendo inalterado ao longo de tantos anos. Faz toda a diferença!

Apesar das roupas e pinturas de Smith e parceiros, os Cure banda de Crawley, no sul de Inglaterra, a meio caminho entre a capital e Brighton revelam ao longo da sua história um apreciável ecletismo sonoro que os torna de difícil catalogação entre o Gótico, Pop, Synthpop, Dark Ambient e os próprios estado de alma que vão da alegria à depressão de disco para disco ou até entre faixas de um mesmo disco. Começaram com guitarras naif e cruas pós-punk, experimentaram a eletrónica mais cinzenta, pop rock FM, música de dança, experimentalismo…enfim quase tudo e a deixar marcas e influenciar bandas mais pesadas como Deftones, Nine Inch Nails, Smashing Pumpkins, ou mais etéreas/experimentais/psicadélicas como Beach House, Bjork, Flaming Lips e genericamente todo o movimento shoegaze.

O concerto, esse, até começou com alguns problemas técnicos, rapidamente solucionados e foi depois um mimo dado a 65.000 pessoas de toda a europa num Hyde Park a torrar de calor. Portugueses, franceses, espanhóis e italianos, devotos com fartura, a delirar com um set perfeito e extenso quanto baste.

Robert Smith surpreendido com a noite de verão tropical em Londres e grato à multidão de fãs que invadiu o coração da capital britânica, era no final um homem feliz, muito feliz mesmo.

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