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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
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Ninho de Cucos

Interpol - Marauder

31 de agosto de 2018
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Foi lançado no dia 24 de agosto o sexto álbum de originais dos nova iorquinos Interpol, intitulado “Marauder”.

No rescaldo da comemoração dos 20 anos da edição do marcante álbum estreia “Turn on the bright lights” que incluiu uma tour, os Interpol solicitaram os préstimos do credenciado produtor Dave Friddman, responsável por alguns dos melhores discos dos últimos 20 anos, começando pelos Mercury Rev de quem os Interpol se assumem fãs, passando pelos Flaming Lips aos quais o produtor é referido como a pessoa capaz de rentabilizar na música, tanta droga tomada, até aos mais recentes Tame Impala, MGMT, por exemplo.

Dave Friddman decidiu gravar a banda diretamente em sistema analógico, a fita de duas polegadas e sem o recurso ao Protools, software standard da industria musical, para poder puxar ao máximo a crueza do som da banda no seu estado mais puro e menos trabalhado em estúdio.

A banda ensaiou forte, tão forte que acabou por ser expulsa pela polícia, da sala de ensaios emprestada pelos Yeah Yeah Yeahs.

Pela primeira vez Paul Banks, voz e guitarra dos Interpol, escreve sobre a sua própria vida, as tendências destrutivas na passagem para a idade adulta e o assumir dos erros e perdas nas suas relações amorosas.

Ao escutarmos “Marauder”, este saqueador, com capa ligada ao escândalo Watergate, percebemos a tensão atmosférica da música pelo lado mais obscuro dos Interpol. Nem sempre totalmente bem sucedida e sem, talvez, o “boost” esperado das mãos e cabeça do produtor Dave Friddman.

Segundo Daniel Kessler, o carismático guitarrista da banda, “Friddman tornou o som de guitarra muito mais direto e com um grande sentido de urgência e rudeza”. Essa característica ajuda a consolidar a ideia da banda que sempre pretendeu “fazer grandes canções e reuni-las num todo para lhe conferir uma força extraordinária”.

Na verdade, na nossa opinião não há uma marca tão evidente em “Marauder” que o faça distinguir em absoluto de momentos de álbuns anteriores onde a tal crueza e urgência do som era já bem evidente. Digamos que se denota um conceito ao longo de todo o álbum, constituído por 11 temas e 2 interlúdios, que o torna mais homogéneo e esse será por ventura o mérito e a mais valia emprestada pelo produtor Dave Friddman aos Interpol.

Destacamos os temas “If you really love nothing”, “Flight of fancy”, “Stay in touch”, “NYSMAW” e “Surveillance” num bom trabalho geral mas com dificuldades de imposição ao vivo, considerando os temas clássicos e na nossa opinião a má escolha do single “The Rover”.

Os Interpol têm uma extensa tour marcada a partir deste mês sem datas em Portugal, para já.

Aguardemos para ver onde chega este saqueador.

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