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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Capitão Fausto

Têm os dias contados

7 de maio de 2016
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Ao terceiro álbum, os Capitão Fausto “Têm os dias contados” para permanecer agarrados às saias da mãe.

A banda de Lisboa formada por Tomás Wallenstein na voz princi¬pal e guitarra, Manuel Palha em guitarra, teclas e voz, Domingos Coimbra no baixo e voz, Francisco Ferreira nas teclas e voz e Salvador Seabra na bate¬ria, lançou no mês passado o novo trabalho precisamente inti¬tulado “Têm os dias contados”.

Depois da auspiciosa estreia com “Gazela” em 2011, os Capitão Fausto saltaram alguns degraus mais em “Pesar o Sol”, o seu segundo trabalho editado em 2014, levando-os a actuar em palcos importantes, onde conso¬lidaram a sua já alargada base de devotos fãs, que não se pode dissociar dos bons e muito bons concertos dados.

Durante 2015 a banda regressou a uma aldeia no Minho, onde já havia preparado “Pesar o Sol”, para fechar a pré-produção do disco que aqui destacamos.

Gravado e produzido entre Dezembro de 2015 e Março de 2016 por Nuno Roque, portelen¬se de criação, um engenheiro de som e produtor cada vez mais ligado a discos de referência feitos em Portugal na área do pop-rock e que tem sido o pro¬dutor de todos os trabalhos dos Capitão Fausto, “Têm os dias contados” é um conjunto de 8 excelentes temas, do melhor que se fez em Portugal nos últimos anos no pop-rock nacional.

Representa um salto enorme na discografia da banda colo¬cando-a num patamar superior de criatividade e competência, sobretudo se atendermos à idade dos músicos, à volta dos 25 anos, que revelam uma maturidade musical assinalável.

Os Capitão Fausto têm obvia¬mente, influências perceptíveis de forma mais ou menos eviden¬te ao longo do disco, mas utili¬zam-nas com sabedoria e talento natural, sem os decalques trági¬cos de algumas bandas portu¬guesas, que as tornam por vezes tão desinteressantes.

Aqui e ali laivos de The War on Drugs, nas tiradas de solos com delay e reverb, o psicadelismo dos Tame Impala, nos arranjos de teclas, os Blur nos coros de “Morro na praia”, Beach Boys no tema “Semana em semana”, fragmentos do melhor dos Heróis do Mar ou Salada de Frutas são alguns dos nomes que nos podem surgir à memória, quando escutamos o álbum mas nada que incomode ou mereça dedo acusador. Nos “...dias contados” tudo flui, é revelador de inteligên¬cia e desenvoltura musical.

Metais a preceito, muito menos crueza à la Arctic Monkeys dos anteriores trabalhos, mais elo¬quência, ornamentação e matu¬ridade estética, quem sabe, a tirar proveito do estudo dedicado a Syd Barrett para espectáculo realizado no ano passado.

“Amanhã tou melhor”, o single de lançamento, mostrou-se escolha acertada e escuta-se em muitas rádios nacionais.

A banda de Alvalade, como se apresenta por estes dias e sem conotações clubísticas que escreve letras sobre a passagem à idade adulta, a assunção da responsabilidade, e os traumas da saída da casa dos pais tem agenda cheia por todo o País de Março a Agosto e confirma ao vivo toda a capacidade já conhecida de anteriormente, com duas diferenças, eles estão ainda melhores e têm ainda melhores canções.

Tivemos oportunidade de assistir a um dos concertos esgotados de apresentação em Lisboa, na Discoteca Lux que decorreu em ambiente de festa com direito a (muito) crowdsurf, um público jovem, mas não só, entusiasta e com capacidade de assimilação dos novos temas, facilitada pela excelente prestação dos cinco músicos.

Os Capitão Fausto, definitiva¬mente, não têm os dias contados.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico

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