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Sharon Van Etten Para memória futura

5 de fevereiro de 2019
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Aos 38 anos, que cumpre este mês, Sharon Van Etten nascida e crescida nos subúrbios de New Jersey sempre evocou as paisagens diferenciadas de uma América enorme e aglutinadora.

Durante a infância estudou clarinete, violino e piano numa primeira fase e guitarra depois.

No ensino secundário começou a escrever as suas primeiras músicas e pertenceu a um grupo coral, onde, segundo a própria, aprendeu a cantar e harmonizar.

Entretanto Sharon muda-se para o Tennessee para estudar na Universidade num curso de gravação do qual desistiu um ano depois. Acabou por lá ficar 4 anos tendo trabalhado num café. Neste período nunca abandonou a veia criativa tendo escrito muitas músicas que nunca apresentou.

Problemas pessoais ditaram o regresso a New Jersey, desta feita para trabalhar numa loja de vinhos e mais tarde mudou-se para Brooklyn onde começou a tocar em pequenos espaços públicos e a gravar e vender cdr pintados à mão pela própria. Num dos espetáculos entregou um desses cd’s a Kyp Malone dos Tv on the Radio que depois de o escutar, a encorajou com entusiasmo a seguir uma carreira musical.

Sharon Van Etten revelou sempre uma ambição grande sobre tudo o que envolvia a música para lá do aspeto criativo, por isso conseguiu um estágio na Ba Da Bing Records, enquanto continuava a compor, tocar e gravar a título particular.

O seu primeiro trabalho “Because i was in love” de 2009, recebeu críticas positivas, garantindo-lhe espetáculos de abertura de artistas mais conceituados e alguns concertos como cabeça de cartaz na costa leste.

Em 2010 lançou “Epic” e o buzz acentuou-se.

Em 2012 “Tramp”, já na nova editora Jagiaguwar levou-a a atingir o pleno nacional, tendo ainda tocado em clubes e festivais europeus.

Sharon Van Etten manteve a bitola elevada nas suas edições mas talvez “Are we there” edição de maio de 2014, um dos álbuns mais aclamados pela crítica nesse ano, seja o motivo pelo qual se tornou numa das artistas mais relevantes da década, da música independente e das tonalidades folk melancólicas que tão bem explora.

Muitos concertos realizados, um papel de atriz na série da Netflix “The OA”, a performance no novo “Twin Peaks” de David Lynch, relacionamentos disfuncionais, a entrada para uma licenciatura em psicologia e finalmente um relacionamento sério e a maternidade, eis-nos em 2019 para o lançamento de “Remind me tomorrow”, 10 anos depois da estreia.

Este 5º trabalho de originais, com o contributo do produtor John Congleton, explora novos territórios sónicos através da presença e protagonismo dos sintetizadores vintage e loops de bateria (“Jupiter 4”, é o nome de um dos temas do álbum e igualmente o nome de um dos sintetizadores mais utilizado no mesmo). É nesse sentido o trabalho mais atmosférico da artista. Por outro lado reflete os tempos de tumulto e tempestade vividos mas igualmente a sua ressaca e a acalmia posterior numa espécie de exorcismo dos traumas da vida.

Os 10 temas incluídos no álbum fazem todo o sentido. “I told you everything”, “Comeback kid” e “Seventeen” são destaques porque são singles mas não se podem dissociar do restante.

Perdoe-se a previsível placa de sinalização no início do vídeo de “Seventeen” que indica a direção de Brooklyn e Queens, ajuste-se a influência não escondida de Stevie Nicks, Kate Bush e Siouxsie e está dado o mote para uma audição atenta e na íntegra a este trabalho.

Sharon Van Etten, perto dos 40 anos, levou à letra o título do seu novo álbum, "Remind me tomorrow", lançado no dia 18 de janeiro.

E assim, para memória futura este excelente disco perdurará.

Sharon Van Etten atua no dia 11 de julho em Algés (Nos Alive).

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