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João Alexandre – Músico e Autor
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Julia Jacklin dissecada em “Crushing”

6 de março de 2019
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Julia Jacklin é uma cantora australiana nascida na Austrália em 1990.

Filha de um casal de professores de liceu, Julia licenciou-se em Política Social, na Universidade de Sidney. No entanto, desde os 10 anos que o “bichinho” da música corria nas veias da jovem e inspirada por Britney Spears teve aulas de canto e posteriormente formou uma banda de escola para tocar versões de Avril Lavigne e dos Evanescence.

Bom! Tudo muito diferente do que é a artista atualmente, mas já lá vamos.

Após a licenciatura, Jacklin trabalhou numa fábrica e não conhecendo ninguém do meio musical também não contou propriamente com o entusiasmo dos pais que não viam na atividade musical algo de consequente para o futuro da filha.

Na verdade, Julia Jacklin continuou na música de uma forma mais ou menos imberbe e somente em 2015/2016, com o par de singles “Pool party” e “Coming of age” e depois com o lançamento do álbum estreia “Don’t let the kids win”, a artista afirmou-se no meio, tendo para isso contribuído a extensa digressão realizada na América e Europa, para lá da sua enorme Austrália e uma boa receção da crítica mundial à sua música.

Por esta altura já Julia Jacklin havia afinado o seu gosto musical citando como referência os nomes de Fiona Apple, Anna Calvi, Billy Bragg e Leonard Cohen.

Na passada semana, foi lançado o segundo trabalho de Julia Jacklin, intitulado “Crushing”.

Na senda de um conjunto de cantoras recentes do pop/rock/indie/folk como Angel Olsen, Sharon Van Etten, Courtney Barnett, todas elas de grande qualidade, também Julia utiliza uma narrativa muito à volta dos acontecimentos pessoais, sem pejo em revelar os mais negros e traumáticos mas fugindo ao miserabilismo individualizado. Este é por certo um trunfo da autora ao longo das canções do disco.

Bem cantado, tocado e de arranjos simples mas não simplistas, “Crushing” é um esmagamento sem dor, de uma artista de 28 anos que ao segundo álbum atinge um patamar bem elevado na música mundial.

“Body”, “Head alone”, “Don’t know how to keep loving you”, e “Good guy” são alguns dos temas que podemos realçar mas o equilíbrio a um nível elevado entre temas de cariz mais indie ou mais folk e intimista, é notório e sem quaisquer rodeios “Crushing” é o tal esmagamento sem dor que se recomenda em absoluto.

Com mais de 60 espetáculos marcados de março a agosto em quase todo o mundo Portugal fica para já de fora.

Entretanto os promotores acordarão para esta senhora.

www.juliajacklin.com

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