Anuncie connosco
Pub
Opinião
João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Freddy Mercury Bohemian Rhapsody

3 de dezembro de 2018
Partilhar

Para todos os efeitos não sou e nunca fui o maior fã da obra dos Queen, muito longe disso, até.

Nem mesmo quando os Radiohead identificaram e bem, os Queen como uma das principais referências da sua obra prima “Ok Computer”.

Na verdade, nem isso me sensibilizou especialmente para os Queen e Freddy Mercury, uma banda sempre em escuta nas principais rádios generalistas mundiais durante as décadas de 80 e 90, ora com baladas ora com canções ritmadas pop, rock, disco, ópera, ou o que viesse à mente mais ou menos alucinada de Freddy.

Foi com base nestas premissas que decidi ir ver “Bohemian Rhapsody”, rebocado por algumas boas críticas ao filme e à interpretação de Rami Malek.

Seria fácil explorar lamechice, voyeurismo e o lado tablóide fértil na personalidade de Freddy, mas "Bohemian Rhapsody" é um monumento cinematográfico de emoção à volta da pessoa, das pessoas e os seus relacionamentos, do amor, da amizade, da família e da música (eventualmente com as suas imprecisões enquanto visto como documentário).

“Bohemian Rapsody”, o filme, levou-me literalmente às lágrimas em muitos momentos da 2ª parte e remeteu-me para um momento longínquo da minha juventude em meados dos anos 80, quando, em Belverde, preparava uma gravação com os meus colegas de banda, os Urb e na rádio tocava incessantemente o tema "Radio Gaga" era rei (eu não apreciava mesmo este tema).

A interpretação de Rami Malek é notável e absolutamente convincente.

A realização foca-se no que é realmente importante, deixando de parte o que é acessório e cruelmente tentador.

Estão lá as canções mais bem sucedidas dos Queen (não necessariamente as melhores) e reproduzidas ao nível dos mais apurados momentos de forma da banda.

Um pouco além do filme, Freddie Mercury, Farrokh Bulsara de seu nome, nascido em Zanzibar no seio de família indiana, faleceu a 24 de Novembro de 1991, vítima de bronco-pneumonia, com 45 anos um dia depois de ter anunciado que estava a morrer de Sida, na sua casa em Kensigton – Londres.

Como revelado no filme, Freddy Mercury viveu com uma mulher, Mary Austin que conheceu antes dos Queen atingirem o sucesso mas a vida de extravagância e a homossexualidade do cantor levaram à rutura do casal, embora Mary tivesse continuado sempre por perto acabando por ser a principal herdeira de Freddy Mercury. Entre 1980 e 1987, também coincidindo com a ida da banda para a América, a vida de Freddy Mercury foi uma autêntica roleta-russa de relações sexuais com desconhecidos e um incontrolável vício em gastar dinheiro das formas mais bizarras, até porque o dinheiro não tinha fim e quanto mais ganhava mais queria gastar, fosse para alugar um avião Concorde com serviço de catering de cocaína para os amigos, fosse para oferecer carros, diamantes ou relógios Cartier aos amantes. Já no final dos anos 80 o cantor remeteu-se à reclusão na sua mansão de Londres com mais de 30 quartos, onde acolheu muitos dos seus amantes, cada um deles com funções distintas de apoio a Freddy.

Um filme a não perder!

Última edição

Gala Notícias de Loures

Gala | Notícias de Loures

Opinião

Eleições

Newsletter