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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
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KVB - Only now forever

5 de novembro de 2018
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Kat Day e Nicholas Wood formam o duo londrino KVB.

Em 2010 Nicholas Wood aventurou-se a solo, já sob o nome KVB lançando algumas cassetes e vinis em edições limitadas.

Em 2011, Kat Day juntou-se a Nicholas Wood transformando os KVB num duo. Duo de eletrónica indie, numa primeira fase mais primário e que com o tempo se tem vindo a refinar musicalmente.

No conceituado festival La Route du Rock, em França, no final do verão passado, os KVB foram cabeças de cartaz na abertura passando com enorme recetividade do público o seu estilo elegante das linhas de sintetizadores analógicos pontuadas por guitarras shoegaze.

O sexto álbum dos KVB, colocado à venda no dia 12 de outubro, é um salto de alguns degraus relativamente aos registos anteriores e sobretudo se compararmos com o projeto inicial a solo de Nicholas Wood, um projeto de quarto, por assim dizer. E se na verdade continuam os ecos do pós punk dos Jesus and Mary Chain e New Order, há agora uma nova luz saída das vozes de Wood.

“Only Now Forever” sucede “Of Desire” de 2016, trabalho gravado no estúdio de Geof Barrow dos Portishead (aliás patrão da editora Invada responsável pela edição deste trabalho) que deixou os KVB de olhos arregalados com a sua panóplia infindável de sintetizadores. Esse interesse e inspiração proveniente dos sintetizadores analógicos foi um grande catalisador para as sessões de gravação dos KVB realizadas no seu próprio estúdio em Berlim.

O primeiro single de apresentação de “Only now forever”, “Above us” embarca no espírito de cavalgada krautrock dos Neu.

O tema-título apresenta uma frase de guitarra que se entranha após dois compassos.

“On my skin” é provavelmente o tema mais doce dos KVB até à data, evocando o clássico vocalista da synthpop. Neil Tennant dos Pet Shop Boys e muito ambiente à la Twin Peaks de David Lynch, o que se repete um pouco por todo o disco

“Only now forever” é um excelente trabalho, de maturidade e maioridade onde Kat Day assume igualmente a voz sussurrada em “Into life” e não sendo exatamente o álbum pop dos KVB (os fãs mais devotos não precisam para já de despir as suas roupas pretas), denota polimento em doses qb e diversos contrastes, da luz às trevas, passando pela melancolia e pelo romantismo.

A dupla esmerou-se na construção de canções complexas e densas, onde o som dos sintetizadores assume papel de destaque numa encruzilhada por vezes à beira do psicadelismo mas sem descurar em qualquer momento o papel do baixo, guitarras e bateria, num equilíbrio fundamental do som indie pop rock eletrónico.

Belo álbum a merecer atenção dos apreciadores do estilo.

Extensa tour europeia até dezembro não inclui Portugal apesar dos KVB já este ano terem atuado em Portugal.

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