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Opinião de Joana Leitão

Fumar mata

7 de maio de 2019
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Iludimo-nos quando pensamos que fumar não faz mal ou que não fumamos o suficiente para nos causar uma doença grave, mas não podíamos estar mais errados.

José tem 40 anos, feitos em outubro passado e pode dizer-se que os viveu na íntegra. Alto, elegante e com boas cores, não aparenta ter uma doença grave, mas a verdade é que lhe foi diagnosticado, há um ano atrás, um cancro do pulmão.

Sendo o tumor mais frequente e com maior taxa de mortalidade há várias décadas, é também uma das áreas onde há mais investigação, pelo que se espera que nos próximos anos seja possível incrementar a prevenção, o diagnóstico precoce e, quem sabe, combater de forma mais eficaz a doença.

José tem um tipo raro de cancro de pulmão e os médicos dizem que se não fumasse, provavelmente, o teria na mesma. Mas sabemos todos que fumar não ajuda, não dá saúde nem acrescenta.

Deixou de fumar depois de se confrontar com ataques de falta de ar e tosse que quase lhe levaram a vida e depois de quase ter morrido afogado, quando fazia surf, por ter ficado paralisado. No pulmão tinha um derrame pleural que quase o levou, mas arregaçou as mangas, nunca mais pegou num cigarro e decidiu mudar de vida.

Hoje, tem uma vida mais calma, alimenta-se melhor, dorme mais e sorri mais. Procura estar em ambientes calmos, harmoniosos, com pessoas acolhedoras e que lhe queiram bem pois, tudo isso ajuda à sua recuperação. José sabe que as emoções positivas criam um registo bioquímico no seu organismo propenso à saúde.

Devia José estar a meio da sua vida e não a antever o final. Não é justo nem natural. Contudo, a vida não é senão um mistério e ninguém sabe se um dia destes não aparece um novo tratamento, mais eficaz ou mesmo uma terapia alternativa que faça a diferença. Ninguém sabe se o organismo de José não poderá operar um milagre já que, enquanto há vida há esperança.

É, por tudo isto, tão importante cuidarmos de nós e da nossa saúde pois, nem todos os processos são reversíveis. Fundamental, também, é cuidarmos dos nossos, acolhê-los, apoiá-los e amá-los pois, não há desentendimentos que justifiquem perdermos a oportunidade de estarmos presentes.

O José foi um exemplo e o impulso de que precisava para deixar de fumar. Agradeço-lhe por isso. Não apago os cigarros do passado, mas posso escolher não acender outros no futuro.

Neste momento, José aproveita mais a vida. Cada dia e cada minuto.

Mas... porque será que temos que nos confrontar com a nossa finitude para abrirmos os olhos?

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