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Entrevistas

Balanço do primeiro ano de mandato

SÓNIA PAIXÃO

5 de outubro de 2018
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Sónia Paixão nasceu em Lisboa em 1977, é casada e mãe de 2 filhos. É licenciada em Direito e fez uma pós-graduação em Gestão Autárquica. Começou a trabalhar na Câmara Municipal de Loures quando ainda estava na Faculdade, em 1999, na Divisão Municipal de Habitação. Nessa autarquia, desempenhou também funções de assessoria até ser eleita, nas eleições autárquicas de 2009 na lista do Partido Socialista, e assumir responsabilidades como vereadora da Coesão Social e Habitação, Recursos Humanos e Contrato Local de Segurança. Nesse período, assumiu também a presidência do Conselho Local de Ação Social da Rede Social de Loures. Em 2013, transitou para o Município de Lisboa, onde foi assessora e Diretora do Departamento da Atividade Física e do Desporto. É, desde setembro de 2018, Vice Presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude.

Como avalia o resultado eleitoral do PS em Loures em 2017?

 Com toda a naturalidade e respeito pelas regras da Democracia, assumi a derrota eleitoral desde o primeiro momento. Soube, desde sempre, que seria uma eleição difícil porque o meu principal adversário era uma pessoa com grande notoriedade, estava no poder e, à semelhança de inúmeros exemplos no nosso país, seria naturalmente eleito para um segundo mandato. Apesar disso, empenhei-me na campanha e tenho a certeza que dei o meu contributo para o debate político, chamei a atenção para os principais problemas e potencialidades do concelho e combati, com todas as minhas forças, a demagogia e populismos que outros trouxeram sem pudor para a praça pública. De referir que estes populismos foram acolhidos pela comunicação social, levando a que os temas prioritários para o concelho fossem relegados para segundo plano, nomeadamente os que estavam plasmados no programa eleitoral do Partido Socialista, que eu encabeçava.

Apesar da distância temporal acredita que vai ser candidata à Câmara de Loures em 2021?

Essa é uma questão que neste momento não se coloca e será, como é natural, discutida no tempo certo e nos órgãos próprios. Os sonhos que tive para Loures não foram concretizados e a paixão que sentia não esmoreceu mas há que deixar a CDU cumprir o seu mandato e continuar a fazer uma oposição construtiva. É esse o meu compromisso neste momento.

Como classificaria a sua relação com a Concelhia de Loures do Partido Socialista?

A minha relação com a Concelhia de Loures do PS é boa e de total disponibilidade para trabalhar em prol das populações deste concelho. Neste mandato, sou a líder da oposição na Câmara de Loures e é nesse papel que estou empenhada a fazer o melhor que sei, a fazer política em defesa dos interesses do território e das pessoas de Loures. A Sónia Paixão, comissária política da Concelhia de Loures do Partido Socialista e a Sónia Paixão, candidata ao município, têm convivido bastante bem.

A sua recente nomeação para Vice Presidente do IPDJ e pela responsabilidade que a função obriga vai retirar tempo no exercício de funções na autarquia?

Se há coisa de que me orgulho no meu percurso é da capacidade que vou tendo para conciliar todos os compromissos profissionais e políticos que vou assumindo, também com a minha vida pessoal e familiar. Se me perguntar se é fácil, respondo-lhe que não mas com dedicação, espírito de sacrifício e muito gosto e motivação para agarrar os desafios, tudo se consegue. Tenho orgulho no meu desempenho como vereadora na Câmara de Loures e tudo farei para continuar a exercer com brio essas funções. Prova disso está dada neste primeiro ano de mandato. Foram muito poucas as iniciativas, sobretudo as levadas a cabo pelas juntas de freguesia e portanto de maior proximidade à população, em que não pude estar presente, contrariamente ao senhor presidente da Câmara.

Balanço gestão da CDU

Do seu conhecimento do concelho quais considera ser os 3 erros mais graves na gestão comunista de Loures?

Falta de visão e de capacidade de inovação. Falta de investimento na área da habitação e coesão social e uma gestão amorfa, acomodada e ausente da população e dos seus anseios.

Qual considera ser a maior perda de Loures da gestão socialista para a gestão comunista?

Perdeu-se um projeto político de afirmação do concelho na Área Metropolitana de Lisboa e no país e perdeu-se a proximidade que o executivo socialista tinha com os munícipes. Nós estávamos perto das pessoas, das associações, das entidades parceiras em inúmeros projetos e dos agentes que promovem o desenvolvimento do concelho. Perdeu-se sobretudo a influência política nos principais palcos de decisão. Mantenho a forte convicção de que comigo e com o Partido Socialista, hoje estaríamos bastante melhor em áreas fundamentais como a saúde, com a construção dos centros de saúde necessários, ou como a mobilidade, com mais e melhores transportes públicos.

O que acha que levou os eleitores a escolher o PS para a Assembleia Municipal e a CDU para a Câmara Municipal?

Como sabe, não é inédito no concelho de Loures. Ao longo destes mais de 40 anos de poder local democrático, os lourenses têm diversificado o seu sentido de voto nestes dois órgãos, votando num sentido para a Câmara e depositando a sua confiança num partido diferente para a Assembleia Municipal, enquanto órgão máximo fiscalizador da atividade do Município.

Se fosse a atual Presidente de Câmara quais seriam as principais diferenças que os eleitores poderiam esperar? Quais seriam as suas prioridades?

Cada pessoa tem a sua personalidade e forma de estar na vida, no trabalho e nos cargos que exerce. Se eu fosse presidente da Câmara Municipal de Loures seria certamente como sou em todas a funções: próxima das pessoas, dos trabalhadores, dos munícipes e das forças vivas do concelho; sempre disponível para os ouvir, atender e motivar para trabalhar com brio, alegria e o mais possível em parceria na prossecução de objetivos comuns de bem-estar e qualidade de vida para todos.

Há um ano, apresentei-me ao eleitorado com uma proposta para tornar Loures um concelho Amigo das Famílias, com melhores transportes públicos e melhor escola pública, com uma aposta inequívoca nas áreas da ação social, saúde e habitação, sobretudo para os mais jovens; um concelho com incentivos para os empresários, artistas e todos os que aqui quisessem trabalhar, investir e desenvolver os seus projetos. Enfim, tínhamos um programa ambicioso, que infelizmente não foi suficientemente claro para os munícipes.

Se tivesse de fazer um elogio à gestão Comunista de Loures que elogio faria a Bernardino Soares?

O elogio que posso fazer neste momento é que tem sabido tirar o melhor partido das políticas que o atual Governo tem tomado em benefício dos municípios, dos quais destaco o acesso aos fundos comunitários.

Conhecendo bem Loures como conhece, quais são os problemas que julga serem de mais difícil resolução no nosso concelho?

Vou eleger três dos vários problemas que considero urgentes resolver.

O problema dos transportes públicos é emergente ao nível da área metropolitana. Tenho uma séria esperança de que o atual presidente da AML, o Dr. Fernando Medina, possa dar o contributo decisivo nesta matéria com a implementação do passe único.

A falta de habitação para jovens a preços acessíveis é outro dos grandes problemas. Num concelho com forte tendência para o envelhecimento, se não formos atrativos para fixar os jovens casais corremos o risco de continuar a perder população para os concelhos limítrofes.

O planeamento urbanístico é talvez o problema de mais difícil e morosa resolução no concelho de Loures, onde há muito a fazer e o executivo do Dr. Bernardino Soares não promete nada.

Numa visão de futuro como se vê profissionalmente daqui a cinco anos?

Nunca fiz futurologia nem tenho ambição para ser ou ter algo específico que condicione o resto da minha vida. Talvez por isso tenha abraçado sempre com muita motivação os diversos desafios que me têm sido colocados. Felizmente, neste percurso profissional de quase 20 anos não me têm faltado oportunidades e experiências para aprender, crescer e dar o meu melhor às organizações e pessoas que sirvo. Para o futuro só posso desejar que assim continue, sempre com a certeza de que nada conseguimos alcançar sem esforço, dedicação e profissionalismo. Esta tem sido a minha marca e tenho muito orgulho nela.

Ao Notícias de Loures desejo os maiores sucessos e deixo o desafio de continuar a acompanhar o meu percurso. Só assim poderá saber o que estarei a fazer daqui a 5 anos. Obrigada!

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