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Entrevistas

Balanço do primeiro ano de mandato

André Ventura

6 de outubro de 2018
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André Ventura é jurista e Professor Universitário, focando grande parte do seu trabalho de investigação nas áreas do direito fiscal, penal e processual penal. Exerceu diversas funções quer na JSD, quer no PSD, a nível local e nacional, e é atualmente Vereador do PSD na Câmara Municipal de Loures. É comentador televisivo e cronista do jornal Correio da Manhã.

Como avalia o resultado eleitoral do PSD em Loures em 2017?

Um dos melhores das últimas décadas. Quando todos esperavam uma maioria clara da CDU foi o PSD o fator de desequilíbrio, o que se traduziu num claro benefício das populações e do escrutínio democrático do poder do executivo.

Como é a relação do André Ventura com a nova secção concelhia do PSD Presidida por Nelson Batista? Pensa voltar a ser o candidato a Loures em 2021?

Uma excelente relação. Tenho um enorme apreço pessoal, profissional e político pelo companheiro Nelson Batista. A minha relação com a Comissão Política Concelhia tem sido pautada, desde o início, por uma estrita lealdade política, e assim se mantém. Aliás, também à Comissão Política Concelhia (esta e a que lhe antecedeu) tenho a agradecer a absoluta correção que sempre pautou o relacionamento comigo enquanto cabeça de lista.

Veremos o que sucede, é uma decisão da Comissão Política e minha que tem de ser tomada no devido tempo, mas para já o meu compromisso é com Loures.

Como avalia o facto de ter sido constituído arguido na sequência das suas declarações em campanha eleitoral sobre a etnia cigana?

Uma vergonha para a democracia, não o facto de ser constituído arguido, mas o de continuarem a existir no nosso país forças políticas e instituições que acreditam que é com formas renovadas de censura que se atacam os opositores e os que pensam diferente. A coisa torna-se ainda mais escandalosa quando o que se tenta ocultar e esconder são verdades que estão à vista de todos.

O Processo Tutti Frutti (que envolve vários elementos do PSD) trouxe a PJ à Câmara de Loures e ao seu gabinete. O que nos pode adiantar sobre este assunto?

Tratou-se de uma diligência de recolha de prova a nível nacional, conforme se viu. Nenhum vereador ou membro do PSD de Loures foi constituído arguido. Prestou-se toda a colaboração possível e manifestou-se total disponibilidade para os esclarecimentos que se impuserem. De resto, o PSD desde o primeiro minuto aplaudiu, assim como eu, todas as investigações que visem prevenir e reprimir a corrupção e o financiamento partidário ilícito.

O André tem sido um dos rostos do descontentamento em relação a Rui Rio. Considera importante que seja outro o candidato do PSD às legislativas de 2019?

Mais importante do que a questão da pessoa do líder, é a recolocação do partido no espectro político onde deve estar e que, na minha opinião, é no centro-direita. A neutralidade ideológica e tecnocrática, os pactos com a esquerda e com a extrema-esquerda podem parecer úteis num primeiro momento, mas a médio prazo alienam o nosso eleitorado e destroem a identidade do PSD. É isso que quero evitar a tempo. Como diz o povo, mais vale prevenir do que remediar.

Balanço gestão da CDU

Do seu conhecimento do concelho quais considera ser os 3 erros mais graves na gestão comunista de Loures?

- Incapacidade de gerar consensos: desde o início a CDU continuou a agir como se tivesse maioria absoluta. O que se passou com o SIMAR foi sintomático disso mesmo.

- Incapacidade de gestão da recolha e tratamento de resíduos. Foi um dos temas da campanha eleitoral de 2017 e continua tudo na mesma. E trata-se de um dos problemas mais sentidos pelos munícipes.

- Incapacidade absoluta de lidar com as questões da insegurança e da habitação social. Depois de serem dois dos temas mais abordados nas últimas autárquicas, esperava-se mais ação da CDU. O que mudou em termos de insegurança? E porque continua a dívida social a aumentar sem critério? Porque são sempre os mesmos a pagar tudo!

Acredita que é possível o PSD vir a ganhar eleições autárquicas em Loures?

Claro, senão não cá estava. É possível e vai acontecer. Sentimos isso na rua.

O que acha que levou os eleitores a escolher a CDU para a Câmara Municipal?

Os eleitores penalizaram claramente a CDU nas últimas eleições, apesar de renovarem o voto de confiança para liderarem o executivo. Estou convencido de que se fosse hoje as coisas seriam muito diferentes. As pessoas estão muito desiludidas com a CDU e com Bernardino Soares.

Se fosse o atual Presidente de Câmara quais seriam as principais diferenças que os eleitores poderiam esperar? Quais seriam as suas prioridades?

Este executivo está unicamente preocupado com obras para inglês ver. É a política do betão e a fé cega no imobiliário. Esquecem-se as verdadeiras necessidades das pessoas, sobretudo na saúde, educação e segurança. As minhas prioridades seriam um reforço notório da segurança nas zonas mais problemáticas, uma redução do IRS Municipal e a criação de um cheque educação que apoie verdadeiramente as famílias, até ao 12º ano, na aquisição de material escolar.

Se tivesse de fazer um elogio à gestão Comunista de Loures que elogio faria a Bernardino Soares?

Isso só com muito esforço mental. Talvez o empenho e investimento feito na área dos transportes (que, no entanto, continuam muito aquém do necessário).

Conhecendo agora melhor Loures, quais são os problemas que julga serem de mais difícil resolução no nosso concelho?

Claramente a questão da mobilidade e da segurança. A CDU continua com modelos políticos dos anos 70 e 80 que claramente não são o que se pretende num município moderno e dinâmico do século XXI. Por exemplo, qual o problema de implementar a videovigilância em determinadas zonas se já há ótimas experiências (Com resultados bastante satisfatórios) em várias zonas do país? E qual o problema de tornar visível e permanente o reforço policial em algumas zonas e bairros problemáticos do Concelho se isso depender apenas de um pequeno acréscimo de esforço financeiro e humano do município? Não será algo que os lourenses merecem?

Numa visão de futuro como se vê profissionalmente daqui a cinco anos?

O futuro a Deus pertence. Mas sem dúvida a fazer o que gosto verdadeiramente: política para as pessoas. Sem interesses ocultos ou terceiros. Sem politicamente correto.

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