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Rui Pinheiro – Sociólogo
Rui Pinheiro
Sociólogo

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COVID 19, sigla do nosso descontentamento

5 de abril de 2020
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Escreve-se esta crónica em circunstâncias de confinamento e distanciamento social, principal instrumento (se calhar único, até ao momento) de combate à disseminação do novo coronavírus designado COVID-19.

A pandemia por todos os efeitos e consequências tem um vastíssimo campo de análise por todas as áreas disciplinares de que nos possamos lembrar. Desde a biologia, que permita perceber bem o cruel inimigo público e obter as armas necessárias à sua erradicação, até à espionagem que torne transparente quem produziu e com que objectivos esta arma de destruição maciça biológica.

Para além de efeitos devastadores na saúde pública mundial e na destruição de vidas humanas e comunidades, nalguns casos, não se conhece a esta altura toda a dimensão e expressão que o problema virá a ter do ponto de vista social, económico e cultural.

Algumas coisas parecem evidentes e adquiridas (?), mas não podemos estar certos disso, porque o comportamento humano é muito imprevisível. Algo que parece evidente é que as nossas sociedades, construídas numa base ideológica de acumulação capitalista, apostam na atomização do individuo e no individualismo.

Na verdade, só colectivamente se pode fazer face e resistir a fenómenos desta natureza e desta amplitude. A globalização capitalista serve às mil maravilhas para disseminar o vírus, mas é absolutamente incapaz de lidar com a cooperação e a solidariedade necessárias para lhe fazer frente. O que também tem merecido inequívocas e emotivas manifestações de apoio são os Serviços Nacionais de Saúde de cada país e os seus profissionais. Ontem convidados a desistir, hoje são os novos heróis.

Veremos até que ponto os cidadãos se manterão coerentes e passarão a exigir, no futuro, serviços públicos de saúde fortes, com hospitais modernos, equipamentos e camas em número necessário e profissionais bem pagos e motivados. Não há forma já de disfarçar o papel inqualificável e indigno de duas instituições que Portugal integra, de forma chocantemente vassalar: a União Europeia e a NATO. A primeira foi e é incapaz de um mínimo de solidariedade activa e atempada. Que o digam a Itália e a Espanha e certamente o dirão em tempo oportuno.

A segunda, com a Europa a travar uma “guerra” ímpar pela sobrevivência, ao invés de ajudar, prefere mobilizar meios militares para fazer jogos de guerra e ameaçar todos aqueles que se recusam a render tributo a Washington.

Em Portugal, pode considerar-se que o ataque à pandemia e aos seus efeitos tem vindo a ser globalmente bem conduzida, com falhas aqui e ali, consequência também de modelos de desenvolvimento que se têm escolhido. Se se prefere construir aeroportos da conveniência de grupos económicos privados ao invés de hospitais, numa crise desta natureza, fecham-se os primeiros e não dispomos dos segundos. Que a actual crise sirva para reflectir também sobre estas opções.

No Concelho de Loures satisfaz saber que a Câmara Municipal, as Juntas de Freguesia e os SIMAR, enquanto serviços de interesse público, todas as medidas ao seu alcance têm tomado para proteger os munícipes, prosseguir os serviços essenciais e ajudar o país a libertar-se da pandemia, num quadro de grande complexidade emocional e funcional.

No site do Município é possível encontrar robusta explicação de tudo o que tem vindo a ser feito. A par dos profissionais de saúde, a maioria dos autarcas são também heróis do nosso tempo.

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