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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Prefab Sprout

4 de outubro de 2014
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Enormes na Europa, quase ignorados na América!

A música será porventura um dos últimos focos de resistência ao poderio avassalador da globalização. Não serão muitos os exemplos. Ainda assim significativos se atendermos à influência de uma banda como os Prefab Sprout na música popular do final do século XX. Os Prefab Sprout nascidos em 1977 em Inglaterra, Newcastle, são uma das bandas mais ama- das e aclamadas da pop dos anos 80 e 90 mas não experi- mentaram mais que um pequeno sucesso nos tops americanos da época.

Curiosamente parte das suas vidas passou-se exatamente na América mas sempre afastados das luzes da ribalta e do culto e devoção dos seus fãs. Paddy Mcaloon o vocalista e compositor é justamente referen- ciado como um dos mais brilhan- tes compositores da sua era e ao qual se associam não raras vezes os nomes de Elvis Costello ou Morrissey.

O 1o álbum datado de 1984 e inti- tulado “Swoon” é apontado pelos críticos como um trabalho cheio de canções elaboradas, com letras impenetráveis e inflexões musicais que lhe conferem um charme próprio, que só se revela após algumas audições e onde “há mais ideias por compasso que em qualquer álbum dos tops de vendas desse ano”. Logo a seguir à edição de “Swoon” o trio formado por Paddy na voz, guitarra e piano, o seu irmão Martin no baixo e Wendy Smith uma fã do início passa a quarteto com entrada de Neil Conti para a bateria. Num rasgo decisivo a banda contrata Thomas Dolby para a produção do 2o álbum, o clássico “Steve McQueen” (nos Estados Unidos intitulado “Two wheels good” devido a divergências com a utilização do nome do actor falecido).

Além de produtor, Thomas Dolby contribui igualmente em Steve McQueen com os seus teclados para enriquecer a sonoridade dos Prefab Sprout, amaciando as tais inflexões musicais e o som mais cru do 1o trabalho. A escrita con- tinua densa mas já não impenetrável e Dolby tem um enorme peso na pop sofisticada, como se de um cruzamento actualizado de Paul McCartney com Burt Bacharach se tratasse e a produção é refinada e luxuosa, carac- terística de boa parte do som dos Prefab Sprout, bem patente em temas como “Apettite” e “When loves break down” um dos singles que teve 4 lançamentos em momentos diferentes até se tornar de facto um êxito.

É em 1988 que chega “From Langley Park to Memphis” o 3o álbum de originais, que inclui ainda Thomas Dolby na produção e uma vasta equipa de técnicos e músicos convidados que vão desde Stevie Wonder, até Pete Townshend ou ao nosso Luís Jardim na percussão. O tema “The king of rock n’roll” que abre o disco, rapidamente se transforma num êxito massivo no Reino Unido e em conjunto com os temas “Cars and girls” e “Hey Manhattan” levam o grupo a atingir o estatuto mais elevado nos Estados Unidos, longe contudo das expetativas mais optimistas.

Seguem-se em 1989 “Protest songs”, um álbum que na verdade havia sido escrito em 1985 e que funcionou como a edição de material não selecionado para “Steve McQueen” e que comprova que Paddy Mcaloon não consegue fazer más canções e em 1990 “Jordan: The Comeback”, que McAloon descreve como um álbum conceptual sobre Jesse James e Elvis Presley, aclamado pela crítica mas infelizmente um fracasso comercial nos EUA que nem uma produção exuberante e muito cuidada o conseguiram evitar.

A história não acaba aqui apesar de alguns fãs de velha guarda se divorciarem neste momento da banda, o que é talvez injusto porque apesar da edição irregular os Prefab Sprout lançam ainda “Andromeda Heights” em 1997, “The gunman and other stories” em 2001, “Let’s change the world with music” em 2009 e “Crimson/ Red” no final do ano passado que completam a discografia até à data e em qualquer dos casos nunca baixam a fasquia e jamais colocam em causa a qualidade de composição e evolução de Paddy Mcaloon como cantor e criador de pérolas que deixamos na playlist a seguir.

Que o digam Rufus Wainwright, Belle and Sebastian ou Ben Folds! Aos 57 anos, Paddy Mcaloon o mentor e a força dos Prefab Sprout, confessou ao The Guardian que continuará a fazer a música que quer, mesmo sem público e corrigiu o seu posicio- namento outrora demasiadamen- te modesto para um “...I clearly didn't realise what a megaloma- niac I am”.

É legítimo!

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