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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Festival de Verão NOS Alive 2014

6 de setembro de 2014
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O rescaldo

O maior festival musical de Verão, urbano e com praia por perto resiste ano após ano às crises económicas, às crises de crescimento e identidade e até a um cartaz onde porventura faltariam um ou dois nomes capazes de equilibrar diariamente um cardápio, ainda assim com nomes bem sonantes. Dezenas de milhares de pessoas oriundas de todos os cantos do mundo acabaram por inundar o recinto nos três dias do Alive.

O agora denominado NOS Alive deu origem a muitas páginas de jornais, revistas e outras publicações, inúmeros posts nas redes sociais, opiniões, discordâncias indignadas, concordâncias em carneirada, muito vento e pó, cerveja e erva, personagens no espaço vip que parecem comple- tamente alheadas do que decorre e um espectro etário cada vez mais alargado e ligado aos seus smartphones enquanto decorrem as actuações das largas dezenas de artistas que compõem o cartaz do evento.

Naquela que é orgulhosamente a primeira presença oficial do Notícias de Loures num grande evento musical, a qual desde já agradecemos à Everything is New, aqui vos deixamos uma opinião (no caso específico é mesmo uma opinião e não um relato) de alguns dos concertos a que assistimos. Tal como em edições anteriores, o palco Heineken em nada ficou a dever ao NOS (o palco principal).

Dada a sobreposição de concertos em palcos diferentes e até porque física e mentalmente não havia disponibilidade ou capacidade para mais, registamos de forma abreviada os “ + ”, os “ + ou - ” e os “ - “ do Alive.

(+) Gostamos de:

- Elbow, nao há ali uma nota em falso e as canções são grandes em tamanho e beleza.

- War on Drugs, um improvável casamento entre Dylan e shoe- gaze e uma banda ultra competente.

- Chet Faker, com algum hype da imprensa, especialmente a portu- guesa mas que se justifica neste caso e especialmente neste concerto... cruzamentos de soul, jazz e house na voz quente de um enérgico Faker (Murphy).

- The 1975, uma boa prestação, viva e teen, com algum “óleo” à mistura e muito à la Thompson Twins, mas em crescendo até ao fim da actuação.

- Drenge, um duo poderosíssimo de guitarra e bateria!...Jack White que se cuide.

- Jungle, não assistimos a todo o espectáculo mas confirma-se a delícia e o álbum recentemente lançado merece crédito e a escu- ta. Electrónica elegante em "Time for Jungle".

- Cass McCombs, a matriz de Television/Velvet Underground e boas canções.

- Daughter, bonito, de sala cheia e público rendido.

(+ ou -) Morno:

- MGMT, a banda não terá aqui assinado a sua melhor actuação, faltou-lhes garra e isso passou claramente para o público desconcentrado e que apenas acordou em “Time to pretend” e “Kids”.

- Foster the People, talvez demasiado leve mas com empenho e momentos agradáveis.

- Arctic Monkeys, provavelmente a banda que fez vender mais bilhetes para o Alive 2014. Demasiadamente colado ao som dos Queens of the Stone Age, talvez fruto da produção e colaboração com Josh Homme, os Arctic Monkeys demonstraram competência nesse stoner rock de riffs marcados e foram totalmente venerados por um público que preenche as playlists dos seus telemóveis e mp3 com “do i wanna know” ao lado de “não me toca” e “happy”. Ok, não vem mal nenhum ao mundo por isso!

- Black Keys, mais que nunca submeteu-se no Alive a ser uma banda de one hit wonder, leia-se “Lonely boy”.

- Interpol, com pena nossa mas não podemos dizer que tenha sido um grande concerto porque não foi, começando por um som deficiente e insuficiente para o palco principal.

- Au Revoir Simone, com uma discografia bem interessante esperaríamos e desejaríamos mais e melhor da performance ao vivo mas de novo mais problemas técnicos acabariam por condicionar muito a actuação.

- Libertines, com o recinto já meio despido foi com certeza uma escolha que terá dado azo a um debate interno entre a organização. A banda nem esteve mal, verdade seja dita mas aquela hora havia muita coisa excitante a passar-se nos outros palcos.

(-) Nao gostamos:

- Unknown Mortal Orchestra, nao foram só os problemas técnicos iniciais (e aos quais a banda até será alheia) e que levaram o técnico da banda a estar possesso com o pessoal de apoio, mas também não são os solos infindáveis e tribais de bateria ou descargas de distorção que transformam tudo num bom concerto. Uma coisa é gostarmos de uma banda. Outra é dizer que um concerto foi bom só por- que gostamos da banda. É que infelizmente tal por vezes não acontece!

O balanço do NOS Alive 2014 é muito positivo! A organização geral e as infra -estruturas do Festival melhoram de ano para ano o que é de realçar e demonstra atenção, acompanhamento e preocupação dos responsáveis em corrigir o que de menos bom se possa ter passado nas edições anteriores. Os horários dos concertos foram escrupulosamente cumpridos e apesar de alguns problemas téc- nicos nos palcos havia sempre, em qualquer momento do evento algo de interessante a aconte- cer... Faltará talvez uma relvinha no lugar da terra batida, assim em jeito de pedido...

Que venha o próximo em 2015!

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