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João Alexandre – Músico e Autor
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Noel Gallagher's High Flying Birds - Who built the moon

30 de novembro de 2017
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Noel Gallagher, ícone britânico dos anos 90 dos Oasis e das polémicas intermináveis com os Blur e o seu irmão Liam Gallagher, regressa com o projeto a solo “Who built the moon”, acompanhado pelos High Flying Birds para o terceiro álbum.

Nestas duas décadas que separam os Oasis da carreira a solo, já na presente década, Noel assume de vez e vive sem rodeios todas as comparações com os Beatles, a que sempre foi sujeito, mas desta feita pelo seu lado mais experimental e demonstrando uma expansão sónica a todos os títulos de assinalar e saudar.

“Who Built the moon” lançado no passado dia 24 de novembro é a prova dessa abertura de horizontes, começando pelo primeiro single “Holy Mountain” em tonalidades retro, ao estilo David Bowie dos anos 60/70.

Noel Gallagher sabe e sempre soube fazer bem canções rock, acontece que ao escolher David Holmes para a produção, Noel escolheu também sair de uma zona de conforto que David Holmes jamais lhe poderia assegurar, pois a especialidade deste é a música eletrónica e as bandas sonoras de filmes. Aliás Holmes é desde há muito um dj irlandês especialista em manipular sintetizadores.

Quando Noel mostrou os temas novos ao produtor não recolheu dele o maior entusiasmo, David Holmes empurrou sempre Noel para novas abordagens criativas, como o recurso a samples, sintetizadores e audição de discos novos e antigos na busca de ideias que o afastassem dos Oasis e dos anteriores álbuns a solo.

“Fort knox”, o tema de abertura de “Who built the moon”, é um instrumental exótico com coros afro-beat. “It's a beautiful world”, com a participação de Paul Weller, poderia como refere o New Musical Express ser tema dos primórdios dos Spiritualized mas remisturado pelos Underworld e com incursão pela língua francesa.

Arranjos orquestrais com direito a interlúdios, influência de Holmes no seu trabalho cinematográfico, o blues e os solos de Noel em “Be careful what you wish for”, o final poderoso em “The man who built the moon” e “If love is the law” com a presença de Johnny Marr são alguns dos sinais do desprendimento de Noel Gallagher relativamente ao seu som habitual. Desprendimento, não total rutura, pois a estrutura de construção de canção que se reconhece a Noel está lá, só que desta vez vestida de forma mais colorida e cheia de flashes luminosos.

“Who built the man” é para a generalidade da crítica o melhor trabalho de Noel Gallagher desde “What's the story morning glory” dos Oasis.

Eventualmente a busca de uma certa intemporalidade levou Noel Gallagher por estes caminhos. Não sabemos ainda se captará novos públicos, se afastará ou não os fãs mais devotos e antigos, mas em “Who built the man” há matéria para agarrar uns e outros.

Entre fevereiro e maio Noel Gallagher realiza uma tournée com 50 datas pela América e Europa que, para já, não inclui Portugal.

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