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João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Alabama Shakes

2 de maio de 2015
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Sound & Color

Nem sempre fáceis de catalogar, fruto de um cruzamento sonoro entre blues, funk e rock os Alabama Shakes, banda originária precisamente do Alabama e que começou por se chamar simplesmente Shakes, acabam de lançar o seu 2o trabalho intitulado “Sound & Color”.

Depois da estreia auspiciosa com o álbum “Boys & Girls”, em 2012, com mais de 700.000 cópias vendidas e que lhes valeu três nomeações para Grammys no ano seguinte, os Alabama Shakes nascidos enquanto banda em 2009 e constituídos por: Brittany Howard – voz e guitarra; Heath Fogg - guitarra; Zac Cockrell - baixo; Steve Johnson - bateria, voltam à carga e subindo a para- da num sempre importante 2o disco, razão pela qual nos debruçamos sobre ele nesta edição de Maio do Notícias de Loures.

Os Alabama Shakes, ao contrário de Jack White ou Black Keys (artistas que se podem conside- rar dentro de um estilo musical similar), não são propriamente os maiores aficionados pelas experiências de estúdio, sendo muito mais orientados pelo potencial da captação ao vivo, orgânica, directa e eventualmente mais crua da sua música, sem que no entanto tal atitude dite uma absoluta devoção as cânones tradicionais do rock retro. Segundo o conceituado crítico Stephen Thomas Erlwine, “... as raízes desta banda são isso mesmo, raízes e não âncoras ou amarras, permitindo que o grupo cresça muitas vezes de forma inesperada e recheada de emoção...”.

No álbum, estreia o som alicerçado na estrutura do blues e da soul dos anos 60 e, como que filtrado pela visão dos clássicos rock nos anos 70, corre sob o pulso de uma secção rítmica que bate tão forte quanto pode, banda sonora ideal para a voz de Brittany (que fez parte de coro de igreja Baptista) fraseando ao estilo de cantora rock, mas sempre de forma ultra expressiva na alegria ou no drama.

No segundo álbum “Sound & Color” a banda que não esconde a influência na sua música do blues mais antigo, da soul, gospel e country tão característicos da música do sul dos Estados Unidos da América. Desenvolvidos num rock mais moderno, liberta-se ainda mais de quaisquer trâmites, preconceitos ou regras rígidas de qualquer das variantes referidas e flui fresca sem se desagregar, sem que o trabalho se transforma numa manta de retalhos ou pareça desarticulado no seu conjunto enquanto disco.

O funk continua forte, provavelmente mais forte, até e onde a banda se revelava mais austera no 1o trabalho, aparece agora bem mais colorida (fazendo jus ao título do álbum). É esse funk poderoso que escutamos em “Don’t wanna fight” e esse poderio não é abandonado, mesmo quando os Alabama Shakes saltam para as baladas soul, como no caso de “Gimee all your love”. Em “Future people” aventuram- se por terrenos do psicadelismo, com harmonias sussurradas, distorção fuzz e energia infinita, interligando o “velho” e o “novo” o “antigo” e o “moderno” de uma forma absolutamente revigorante.

O tema “Shoegaze” lembra Rolling Stones e até para arranjos de cordas, providenciados por Rob Moose, colaborador de Bon Iver, há lugar. Os Alabama Shakes passaram em Portugal em 2012 e 2013 nos festivais de Verão, respetivamente Super Bock Super Rock e Paredes de Coura. Está na hora de promotores nacionais apostarem numa banda em grande forma para um concerto de sala, sem misturas e outros motivos menores de dis- tração.

Experimentem:
Alabama Shakes – “Don’t wanna fight” (David Letterman)

Funk and Roll!!!

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