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Opinião
Gonçalo Oliveira – Actor
Gonçalo Oliveira
Actor

P'la caneta afora

Ó Nandinho ou estás caladinho ou levas no focinho!

5 de fevereiro de 2019
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AVISO: Os 2000 caracteres (mais coisa, menos coisa) que preenchem habitualmente esta crónica nunca foram, nem virão NUNCA a ser CENSURADOS.

Perguntarão: mas ao que vem esta nota, se ele nunca denunciou (a verdade é que também não sou “bufo”!) ter sido alguma vez censurado?

Pois é verdade! Neste jornal nunca fui censurado! Tentaram fazê-lo noutros locais e noutras alturas, mas a verdade, é que também nunca o consenti que o fizessem!

Vem tudo isto a respeito da censura efectuada pela Porto Editora num manual do 12.º Ano a uns quantos versos de “A Ode Triunfal” do heterónimo de Fernando Pessoa, de seu nome Álvaro de Campos.

Os versos censurados são estes: “Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas” e “E cujas filhas aos oito anos – e eu acho isto belo e amo-o! -/ masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada”. O manual censurado é um dos livros aprovados pelo Ministério da Educação que considera as obras de Fernando Pessoa e seus heterónimos parte das “Aprendizagens Essenciais”, que definem que o aluno deverá ter “um conhecimento e uma fruição plena dos textos literários do património português e de literaturas de língua portuguesa”.

É preciso lembrar que estes versos aqui estão retirados de todo o contexto poético e não só de “A Ode Triunfal”!

O poema de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa é composto por 240 versos, note-se!

Vasco Silva é um dos mais prestigiados editores portugueses. Nome indissociável da edição de Fernando Pessoa e certamente um dos editores nacionais que mais livros do e sobre o autor publicaram em Portugal, disse ao Jornal i, “que considerava tudo isto um “disparate” e defendeu que se o poema causa tanto desconforto, mais valia a Porto Editora ter optado por outro”.

E não foi também a mesma Porto Editora que editou livros de exercícios diferenciados para meninos e para meninas???

Viva a igualdade de géneros!

No meu tempo de estudante (antes do 25 de Abril de 1974) censurava-se a “Ilha dos Amores” (Canto IX-Estrofe 72, se não me falha a memória!), Episódio de “Os Lusíadas” de Luiz Vaz de Camões!

Viva a Liberdade! Viva a Liberdade de Expressão!

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