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Opinião
Gonçalo Oliveira – Actor
Gonçalo Oliveira
Actor

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Há dias de manhã que um homem à tarde não pode sair à noite

3 de setembro de 2016
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Ainda há quem ponha em dúvida que escrever dói tanto com parir! Eu não posso garantir a veraci¬dade de tal afirmação visto per¬tencer ao sexo masculino e ser-me negado, pelas vicissitudes da mãe-natureza partilhar das dores de parto, mas que escrever dói, lá isso é verdade! Dói porque se fala de Amigos que partiram, dói porque se diz mal, dói porque se dão más notícias, dói porque afi¬nal descobrimos que não temos jeito nenhum para a escrita, mas insistimos em continuar a escre¬ver ou dói porque não temos nada para escrever, mas temos de escrever ou porque não nos apetece escrever ou porque, em último caso e em consequência de tudo o que vos acabei de descrever, tudo nos soa a justifi¬cação esfarrapada.

Enfim… Há dias de manhã que um homem à tarde, não pode sair à noite. Vá-se lá saber quem inventou esta equação!

Esta, como tantas outras frases proverbiais (ou não!), atraves¬sam-se-nos na vida de todos os dias. E o mais interessante é que fazem sentido, utilizadas nas mais variadas situações e com os mais variados sentidos.

Mas vamos ao que interessa!

Agosto já lá vai, mas Setembro ainda é mês de férias, de festas e romarias!

Agosto encheu Portugal de lés-a-lés com as ditas festas de Verão. Cidades, vilas e aldeias – todas cada vez com menos habitan¬tes, exceptuando talvez Lisboa e Porto! – foram inundadas pelos portugueses que tiveram de partir para a “estranja” à procura de uma vida melhor e regressam às suas terras natais. Para matarem saudades do bom cozido à por¬tuguesa, das sardinhas assadas, do presunto e enchidos, enfim, de tudo o que faz mal ao “cas¬trol”, mas que sabe tão bem. E mais ainda dos abraços e beijos dos pais e avós já muito velhi¬nhos que cá deixaram, mas não os deixaram de amar e cá con¬tinuam a viver as suas reformas de miséria ou os seus ordenados mínimos igualmente de miséria, mas com o colo sempre pronto para receber quem foi obrigado a deixar o berço da sua mãe-pátria!

Para quem vive por terras de Loures ou outros arredores da cidade capital, há uns largos anos atrás, ia-se às praias da “linha”, à Costa (de Caparica) ou até mesmo à Praia Grande ou à Praia das Maçãs. Ou à Ericeira ou Azenhas do Mar. Hoje também! E à noite ia-se à Feira Popular ali em Entrecampos. Hoje não se vai! Já não há Feira Popular! Mas já existe a promessa de a nova Feira Popular reabrir lá para os lados de Carnide! E feiras continuam a haver em Lisboa. Desafio-vos a visitarem-nas!

Pelo menos duas, ainda existem e qualquer uma delas merece a vossa visita e a vossa atenção: a Feira da Ladra às 3ªs feiras e sábados.

A Feira da Ladra teve início no Chão da Feira, ao Castelo, pro¬vavelmente em 1272, tendo mais tarde passado para o Rossio. É no ano de 1552 que surge uma primeira notícia da reali¬zação da Feira no Rossio, na Estatística Manuscrita de Lisboa. Em 1610 aparece a designação Feira da Ladra numa postura oficial. Depois do terremoto de 1755 instalou-se na Cotovia de Baixo (actual Praça da Alegria), estendendo-se mesmo pela Rua Ocidental do Passeio Público. Em 1823 foi transferida para o Campo de Santana, onde esteve apenas cinco meses, voltando para a Praça da Alegria. Em 1835 voltou para o Campo de Santana, onde se conservou até 1882, antes de passar para o Campo de Santa Clara, às terças-fei¬ras e, desde 1903, também aos sábados.

Aqui podem encontrar e colher várias curiosidades, desde ócu¬los de sol com nomes pareci¬dos a grandes marcas, passando pelas velhas revistas “Flama”, “Plateia” e “Crónica Femenina”, até selos e postais antigos, livros, antiguidades verdadeiras, velha¬rias várias e até antigos projecto¬res de teatro.

E já que falámos também em Feira Popular e Carnide, apro¬veitamos para os desafiarmos a darem um salto até ao Largo da Luz, bem em frente ao Colégio Militar e viajarem pela Feira da Luz.

Ligada à tradicional romaria que se realizava anualmente, em Setembro, no Santuário da Nossa Senhora da Luz, a feira era complemento das festivi¬dades religiosas que duravam vários dias, atraindo numerosos forasteiros da capital e arredo¬res. Embora se possa considerar tão antiga como o próprio culto e remonte, certamente, à Idade Média, foi durante os séculos XVI e XVII que começou a adquirir maior projeção. No início, a feira surgiu integrada nas festivida¬des religiosas, com barracas de comes e bebes, vendedores de medalhas, registos de santos, rosários e objectos religiosos. Pouco a pouco, foi-se ampliando e surgiram os louceiros, vende-dores de fruta, cesteiros e, por último, os negociantes de gado. Chegou a realizar-se uma feira de gado, quinzenalmente, no segundo domingo de cada mês, mas a feira anual era o grande atractivo para os negociantes de cavalos e de gado vacum. Em 1881, por regulamento camarário (na altura, Câmara de Belém), a feira passou de três para cinco dias com o mercado de gado de 8 a 11 de Setembro e os res¬tantes produtos nos seguintes. Em 1929, com o estabelecimento da linha de elétricos que liga¬va os Restauradores a Carnide, o acesso ficou mais fácil e foi estabelecido um novo calendário, prolongando-se a feira desde o primeiro sábado até ao último domingo de Setembro.

Aí poderão encontrar entre comes-e-bebes vários, com farturas e algodão-doce à mistura, espec¬táculos de música para todos os gostos desde Óquestrada, passando pelo pequeno, hoje grande, Saúl e o seu “Bacalhau Quer Alho”, aos Donna Maria ou a Bruno Nogueira e Manuela Azevedo e “Deixem o Pimba em Paz”, entre muitos outros.

Aqui vos deixo duas propostas para o vosso mês de Setembro.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico

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