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Opinião
Florbela Estevão – Arqueóloga e Museóloga
Florbela Estevão
Arqueóloga e Museóloga

Paisagens e Patrimónios

Lisboa Romana - Felicitas Iulia Olisipo

12 de dezembro de 2019
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No final do passado mês de novembro foi lançado, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, pela Câmara Municipal de Lisboa, Área Metropolitana de Lisboa (AML) e demais parceiros, o primeiro volume de uma coleção de oito livros sobre os monumentos da época romana localizados na região de Lisboa, coleção essa a publicar até 2022. Esta série de obras integra-se num projeto mais vasto designado “Lisboa Romana - Felicitas Iulia Olisipo”.

A todos os interessados importa, pois, estar atento não só a esta coleção, mas ao desenvolvimento do projeto no seu conjunto, pois que ele visa promover e divulgar a herança romana desta vasta região, propondo nomeadamente um conjunto de itinerários de visita devidamente contextualizados.

Esta primeira obra é dedicada aos monumentos epigráficos, o que significa que inclui também as inscrições romanas existentes no município de Loures, como por exemplo o cipo romano de Bucelas existente no Largo do Espírito Santo dessa vila, também conhecido como Pedra da Memória, ou a inscrição funerária do Barro, depositada atualmente no Museu Municipal de Loures situado na Quinta do Conventinho. Este primeiro volume inclui também um artigo sobre a pequena estatueta de bronze encontrada em Bucelas, cuja réplica pode ser observada no Museu do Vinho e da Vinha, a qual já apresentámos aos leitores numa crónica anterior.

O programa “Lisboa Romana - Felicitas Iulia Olisipo”, apresentado publicamente no Teatro Romano de Lisboa em abril de 2018, é uma iniciativa que conta com a colaboração de várias entidades públicas e privadas, incluindo várias autarquias, universidades e centros de investigação, estendendo-se por várias fases até 2024. O seu objetivo, como já mencionei acima, é dar a conhecer ao público o património associado à presença romana na Área Metropolitana de Lisboa, sendo igualmente uma referência no âmbito da investigação e conhecimento históricos.

Assim, o projeto “Lisboa Romana - Felicitas Iulia Olisipo” prevê a criação de redes de intercâmbio entre várias entidades e a diversas escalas, progressivamente mais alargadas, desde o âmbito local até ao metropolitano, e envolvendo diversos organismos responsáveis, públicos e privados, como universidades e centros de investigação. Essa rede metropolitana inclui, além de Lisboa, 20 municípios: Alcochete, Alenquer, Almada, Amadora, Arruda dos Vinhos, Barreiro, Cascais, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Sintra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, abarcando mais de 350 sítios arqueológicos.

A intenção de criar itinerários de visita irá implicar nalguns casos investimento na musealização de diversos sítios arqueológicos já conhecidos ou mesmo em fase de investigação/escavação arqueológica, estando previsto para o efeito o desenvolvimento de um website incorporando um mapa interativo.

Mas, neste programa estão previstas outras ações de âmbito muito mais alargado, tais como exposições, conferências, criação de roteiros, entre outras iniciativas, destacando-se, a longo prazo, a ambiciosa intenção do estabelecimento de uma Rede Internacional que ligue entre si as cidades com presença destes vestígios em toda a extensão do antigo Império Romano, desde Portugal a Israel.

 

Como a nossa cultura e civilização são tributárias do que o mundo romano criou e das raízes que deixou – a começar desde logo pela língua portuguesa – este projeto assume uma importância identitária óbvia e concretiza um trabalho de equipa que unirá, de um modo ou de outro, todos quantos se preocupam pelo nosso passado comum.

De facto, desde já, a nível nacional, a divulgação dos sítios arqueológicos selecionados implicará uma estreita colaboração com a comunidade científica, tendo sido identificadas nove linhas de investigação associadas ao projeto, que envolverá 96 especialistas de distintas áreas, desde a arqueologia à sociologia, passando pela antropologia, e centros de investigação das universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Évora, Nova de Lisboa, Instituto Universitário Egas Moniz, assim como cinco empresas privadas de arqueologia, bem como investigadores e técnicos inseridos em autarquias que tenham a seu cargo projetos de investigação arqueológico-histórica, como é o caso de Loures.

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