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Opinião de Joana Leitão

SUCESSO NO BURNING MAN

3 de novembro de 2019
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É possível que boa parte da comunidade do concelho de Loures já conheça a Artelier?

A verdade é que esta companhia de animação e teatro de rua local dá nas vistas sempre que aparece. Atores e malabaristas desfilam em carros alegóricos e construções imaginadas, ao som de música e por entre o fogo, acompanhados, muitas vezes, de animações multimédia projetadas numa parede ou objeto que esteja por perto.

De forma original, dinâmica e por vezes até desconcertante. Pela mão de Nuno Paulino, dramaturgo e diretor, percorreram um sem-número de cidades dentro e fora do país, com o objetivo de entreter e alegrar as populações, embora a “mais especial” seja a “sua”.

Entre tantos saltos, foi o convite para participar no Burning Man que os destacou. Afinal, é a primeira companhia artística portuguesa com uma estrutura organizada a ser convidada a participar, neste, que é um dos maiores festivais criativos do mundo. Assim, no final de agosto passado, rumaram ao Nevada, nos Estados Unidos, onde puseram em prática o projeto idealizado.

Com o “Nome da Rosa”. Convites e trabalhos como este procuram dignificar a arte, as companhias de animação e teatro, os artistas e o nosso país, e talvez por isso, tenham sido congratulados recentemente pela autarquia.

E convidados para festas locais, o que sempre ajudou a fazer face a parte das despesas com a viagem. Mas de que vivem os artistas e que vida incerta é a sua? Louvores são bons, são necessários quando merecidos, mas não pagam contas. Não financiam projetos ou atividades.

Não permitem dar azo à criatividade. Transformam ideias em utopias. No momento presente, a Artelier? está a desenhar uma ação dirigida à população jovem do Concelho, baseada na sua apresentação no Burning Man, com vários focos. A prevenção de adições, a arte computacional e, entre outros, a luta climática.

E para pagar o tempo, os materiais e a imaginação estão dois salários mínimos anuais, atribuídos pela Câmara Municipal. E quantas ações lhes é permitido fazer com este valor? Que outras pessoas ou entidades são privilegiadas para financiamento? Esta é a realidade desta e da maioria das Companhias Artísticas do nosso país, cuja situação precária dificulta a imaginação. Na teoria e na prática.

Palavras bonitas não bastam. São precisos meios. Parabéns Nuno Paulino e Artelier?. Que o céu continue a não ser o limite.

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