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Rui Pinheiro – Sociólogo
Rui Pinheiro
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Fora do Carreiro | A opinião de RuiPinheiro

Turismo e Fragmentos

4 de setembro de 2017
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Certamente seria de esperar que escrevesse sobre temas mais candentes. Talvez sobre os incêndios florestais, matéria que bem merece debate. Quiçá sobre um indivíduo que diz de tudo para ter atenção e a quem não farei a vontade. Contudo, o recente périplo de veraneio que fiz pelo País levam-me até à problemática do turismo. De facto, todos os indicadores económicos apontam para o peso crescente do factor turismo em Portugal, o que ajuda a explicar a recuperação económica de Portugal.
Não me deterei a discutir cifras, nem aprofundarei filosofias, mas parece evidentemente – há muitos anos – que o turismo pode ser um decisivo factor de desenvolvimento do País, que não tem recursos no subsolo e tem ainda atrasos estruturais importantes. Portugal detem um conjunto substancial de vantagens competitivas para atracção turística. A questão será se aproveita meramente as conjunturas, ou se adopta políticas nacionais, regionais e municipais para se afirmar estruturalmente como destino turístico consistente, mundial e perene.
Se for esse o caminho, que defendo, deve ser salientado que as políticas para o turismo não podem resumir-se à campanha publicitária internacional do ano seguinte. Há um mundo de acções a desenvolver a todos os níveis de possível intervenção. Assinalo escassos exemplos. É preciso habilitar a restauração. Falta qualidade, visão e formação. Carece de sentido que em vilas tradicionalmente piscatórias, da nossa extensa costa marítima, emerjam pizarias e hamburgarias e os restaurantes tradicionais se inclinem a seguir tais modas. Importa que o turismo ofereça tendencialmente o que é português e, já agora, que possa ser produzido em Portugal. É precisa uma estratégia e intervenção nacional e local na sinalização direccional, toponímica e turística e separar estas da sinalização comercial. Não podemos ter numa mesma rota placas direccionais do tipo “Vila Praia de Âncora”, para no cruzamento seguinte já se apresentar “Vª Pª Âncora” e depois “V. P. Âncora”. Quem não conheça o País, ou não domine a língua, consegue estar certo do caminho que leva ?!...
Aquilo que reclamo para o País, um turismo coerente e sustentável, defendo também para o concelho de Loures, que pode e deve tirar maior partido da vizinhança com a Capital e dos seus recursos endógenos. Aqui, na nossa terra, o turismo não pode resumir-se ao Festival do Caracol Saloio e considero, desde já, que não é regar a questão com dinheiro que a resolve. Impõe-se uma estratégia, um rumo e a intervenção articulada dos serviços entre si e com as Juntas de Freguesia para um mesmo propósito.
A talhe de foice e na sequência do meu escrito na edição anterior, a um mês das eleições autárquicas, apenas um Programa Eleitoral, da CDU, me chegou às mãos. Vejo as restantes formações políticas a embrulharem-se nas suas próprias trapalhadas e a não apresentarem com clareza e coerência propostas para o Município. Nem sobre turismo, nem sobre coisa nenhuma.
Seja-me autorizada a sugestão de que o próximo mandato nos traga um novo Loures em Congresso e que o Turismo e a Sustentabilidade possam constituir um painel de reflexão.

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