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Rui Pinheiro – Sociólogo
Rui Pinheiro
Sociólogo

Fora do Carreiro

Comunicação (in)social. Parte I

30 de novembro de 2017
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Já muitos e competentes analistas fizeram ponderadas apreciações sobre o rumo e perspectivas da Comunicação Social no mundo e em Portugal. É quase certo que nada trarei de novo, filosófica e conceptualmente ao tema, ao abordá-lo aqui. Contudo, a circunstância adicional de ter dedicado uma parte da minha vida ao estudo da comunicação e a participar voluntária e graciosamente com orgãos de comunicação social local conta, mas sobretudo, conta a circunstância de ser cidadão deste país, que se confronta todos os dias com os fenómenos da comunicação que por aqui têm lugar.

Invade-me séria preocupação, de há anos a esta parte, o caminho que leva o jornalismo e o percurso dos chamados orgãos da comunicação social. Está levantado, estudado e publicado um vasto acervo de razões para o actual estado da arte. Do advento das televisões, há umas décadas, ao mais recente fenómeno das redes sociais encontram-se justificações sem fim para o mau jornalismo, o desinteresse de leitores, ouvintes e telespectadores, para a detenção e subordinação da comunicação social ao poder económico e a esferas de interesses particulares, para a troca de informação por entretenimento. Menos justificado e percebido está o papel daqueles que se mantêm sob a tutela do Estado e que deveriam ter a obrigação primeira de efectivo serviço público de informação e formação.

Bem se sabe que os jornalistas, e todos os demais profissionais, são produto da nossa sociedade e resultado das circunstâncias sociais, económicas e políticas, mas é suposto que esta classe seja profissionalmente - pelas responsabilidades que tem no desempenho das suas funções e as consequências da sua actuação e decisões - algo mais que uma mera emanação das condições sociais. Tem de lhes ser explicado, nas universidades, nos sindicatos e nas ordens profissionais que não podem permanecer no estádio de uma espécie de analfabetos funcionais. Recordemos, a propósito, o que diz a Unesco sobre o que é um analfabeto funcional: “toda a pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e escreve frases simples, efectua cálculos básicos, porém é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades quotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional.”

Não podemos manter uma mera atitude de tolerância e condescêndencia com a actual situação do jornalismo, já que tem um papel crucial nas sociedades democráticas, de informação e formação colectivas.

Nesse sentido, impõe-se exigir ao grupo RTP e ao Governo que o tutela, que assumam ambos as suas responsabilidades nesta esfera, qualificando a prestação informativa, proporcionando condições e exigindo elevado desempenho profissional, consciente, informado e culto, procedendo a uma profunda reformulação da programação informativa. Nenhum país aguenta e se pode desenvolver intelectualmente a assistir a horas de debate insano sobre um qualquer penálti. Voltarei a estes temas.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico.

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