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Pedro Cabeça – Advogado
Pedro Cabeça
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A opinião de Pedro Cabeça

“O Outono do Patriarca”

10 de outubro de 2017
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No final das eleições dúvidas não existem que as coisas mudaram em Loures, Bernardino Soares venceu a corrida para a presidência da CML, mas o restante não foi famoso para a CDU. O PS vence a Assembleia Municipal, recuperando a tradição de ser o partido mais votado para a AM (durante mais de 20 anos assim foi), faz o pleno em todas as Freguesias da zona Oriental, retirando Freguesias ao PCP e PSD, perdendo a norte Fanhões para o PCP, por falta de estratégia política. Não podemos esquecer a subida do comentador do foguetório que é apenas isso. Não é uma subida do PSD no Concelho mas o voto no foguetório de quem discute política entre um copo de vinho e um prato de torresmos, mas rendeu mais um vereador para o PSD e isso não é de descurar.

Ao olhar para as estratégias de todas as forças políticas, identifico-me com “os revolucionários (do livro “O Outono do Patriarca” de Gabriel Garcia Márquez) que entram no enorme palácio em ruínas, encontram o corpo do ditador em decomposição numa emaranhada anarquia, onde se misturam o passado e o presente. Um presente já perdido e desfeito, um passado de uma riqueza inimaginável num palácio pejado de ministros, guarda-costas e criados que mantinham o ditador precariamente equilibrado no poder /…./.A atmosfera é de sonho, mesmo de pesadelo, real, vibrante e sensualmente exata, ao mesmo tempo vaga e inacreditável.“
E penso nesta escrita de GGM, porque me parece evidente que os resultados não advêm de estratégia política pensada pelas estruturas partidárias, que apenas vão mantendo os poderes internos, fingindo que tudo está bem e que todos os cadáveres estão vivos.
A estrutura do PCP ainda não entendeu que a sua vitória foi de pirro, ou melhor não foi sua, mas do carisma que resta ao seu candidato e duma inabilidade estratégica das outras forças partidárias. O PS ainda não entendeu que não venceu a câmara porque se recusou nestes últimos anos a ter uma estratégia. Limitou-se a navegações à vista e com objetivos meramente “umbiguistas” a médio prazo, numa política infantil, sem demonstrar a verdadeira capacidade de fazer, o que não engradece (como devia) as vitórias que acabou por conseguir e deixou a sua candidata desacompanhada em momentos decisivos. O PS não ganhou a Presidência porque se “recusou” a pensar verdadeiramente nisso. Quanto ao PSD a história é de acasos de foguetório e não de estratégia, como aliás se viu na perda do seu mais velho Bastião do Concelho. Manter Lousa não foi estratégia do PSD, foi mérito do Candidato, que venceria mesmo concorrendo pelo partido do Rato Mickey.
Em suma as estruturas partidárias deste Concelho precisam de acordar e deixar de fingir que os seus líderes estão vivos, apenas para manter os poderes.
Neste momento, com as escolhas da população, vai ser necessário que todas as estruturas partidárias se concentrem em verdadeiras estratégias em prol do Concelho. O Outono do Presidente eleito não será fácil e têm de rejeitar primarismos e ignorância, a bem da População.
Citando Goethe «Nada mais assustador que a ignorância em ação».

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