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Pedro Cabeça – Advogado
Pedro Cabeça
Advogado

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Conservadorismo e dogmatismo para “Acabar de Vez com a Cultura”

3 de setembro de 2016
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Há três anos a população foi às mesas de voto e deu um pequeno sinal de fé, no que entendiam poder significar mudança. No entanto, passados estes três anos a dita pouco se viu. Este novo executivo, por muito que tenha apostado na propaganda até televi¬siva (por princípio não sou contra esta propaganda, se o objectivo e o resultado trouxerem verdadeiro retorno para o Concelho), não consegue passar a imagem de novidade e mudança e não o consegue porque, efectivamente, pouco mudou no Concelho a bem dos munícipes.

Dizer simplesmente que nada mudou seria também demasiado redutor, as mudanças de protagonistas (mesmo com as mesmas forças políticas) trazem sempre alterações, mas quando tudo muda é certo que esperamos mais mudanças, na prática o que temos destes três anos é a continuação ou recuo em matérias em que o Concelho já avançava e tudo isto sem rasgos de Presente, nem perspectivas de Futuro.

Vejamos a título de exemplo o que se passa na mori¬bunda Política Cultural do Concelho.

Na actual Política Cultural do Concelho de Loures não se vislumbra qualquer aposta nova. As iniciati¬vas têm a “originalidade” de 5, 10, 15 e 20 ou mais anos (e a culpa não é dos trabalhadores do sector), ou seja, quais os grandes e novos projectos culturais dos últimos três anos?... A execução da Biblioteca de Sacavém que já estava projectada e com finan¬ciamento apalavrado há mais de três anos? Sim é verdade a execução foi agora, sem dúvida, mas fosse este ou outro executivo, considerando o andamento do projecto, não estaria também já con¬cluída? (Nota de reflexão: o anterior executivo criou cerca de quarenta bibliotecas escolares).

As Políticas Culturais do Concelho de Loures, nes¬tes últimos anos, têm sido pobres, sem originalida¬de, criatividade ou dinamismo. As Políticas Culturais existentes são dogmáticas e conservadoras, com apostas num ou noutro projecto, sem risco, sem novidade (pese embora entenda que se deva dar dimensão às boas experiências existentes - veja-se o caso positivo da Arte Urbana em que se apostou numa actividade, já existente e se lhe deu mais corpo, investindo bastante na divulgação, nomeada¬mente em televisão).

Mas é preciso muito mais do que isto, principalmente numa área onde predomina a capacidade de sonhar/imaginar e criar. Se é verdade que a Cultura numa análise redutora (de quem vive alheado de projec¬tos) da caça ao voto poderia parecer pouco atracti¬va, é preciso que os caça votos não esqueçam que a marca cultural de um concelho é essencial para permitir subir os níveis de bem estar da população, com todos os ganhos directos e indirectos que daí advêm.

A este ritmo ainda vamos “Acabar de vez com a Cultura” (Woody Allen). E é de facto irónico que este abandono da Cultura em Loures (que alguns tentam dissimular) seja protagonizado por alguma gente, que constantemente se auto-proclama proprietária ideológica da Política Cultural, como se isso fosse verdade ou possível sequer.

Para o futuro, e pela positiva, deixo o título provisório de um projecto que apresentarei e a que voltarei em breve - “CongregArte”- para um concelho cultural¬mente afirmativo.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico

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