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Pedro Cabeça – Advogado
Pedro Cabeça
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A opinião de Pedro Cabeça

As Crónicas de Nada

9 de julho de 2018
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Depois de um intervalo, em que buscava sentidos para a vida ou simplesmente temas para falar deste concelho, fui concluindo que as crónicas que poderia escrever, sobre os últimos meses de Gestão e política concelhia, seriam as Crónicas de Nada.

Talvez inspirado pela coincidência de sons entre a frase que me surgia de “As Crónicas de Nada” e “As Crónicas de Nárnia”, resolvi entrar numa passagem nada secreta, e daí saltar para um “misterioso” mundo paralelo, ou seja para outros concelhos que rodeiam este nosso estagnado universo. Ao entrar nesse mundo misterioso descobri que existem concelhos que se desenvolvem, que crescem, que têm actividades. Enfim fiquei fascinado.

Corri vários concelhos, uns mais perto, outros mais distantes, uns governados por Rosas, outros por foices, outros por setas e em todos descobri que existia vida municipal, que tinham agendas dinâmicas, iniciativas mais ou menos diferenciadoras, que cuidavam das suas cidades, que tinham sonhos e metas que os ajudavam a chegar ao desenvolvimento, que nenhum se desculpava de estar longe ou perto de uma grande cidade. Esses concelhos não se limitavam a uma pachorrenta gestão corrente do seu concelho, tinham até, quase todos, pasme-se, oposições activas, fortes e cheias de projectos alternativos.

A verdade é que às vezes estamos demasiado presos ao nosso mundo e isso limita a nossa capacidade de ver e imaginamos que não há mais nada para fazer.

Eu estava neste nosso mundo, neste nosso concelho, e pensei que a gestão autárquica e a política local eram isto, um marasmo sem nenhuma meta, sem nenhuma ideia, sem actividades diferenciadoras, com actividades culturais e desportivas inexpressivas, com uma política urbanística de mínimos, sem opções estéticas, sem grandes mudanças nos espaços urbanos (em bom rigor nos últimos anos neste conselho apenas assistimos a menos de meia dúzia de intervenções urbanas fracas e que são visivelmente um fracasso, porque não se baseavam em qualquer ideia de futuro). Este marasmo de política local não advém só de um executivo inerte passa também por uma oposição sentada, sem rasgos, com pouca disposição para apresentar rumos, e quase conformada com um concelho sem centelha. Da oposição e do executivo, o máximo que conseguimos vislumbrar é um ou outro i̅gnis fatuus.

É verdade, admito, que por “estar fora” da realidade político partidária do concelho talvez sofra de deturpação de percepção do que se vai fazendo e projectando, ainda assim tento olhar tento ver, procuro e apenas recordo, espreitando este nosso concelho, algumas palavras de Augusto Gil, “mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho…". No dia em que deixamos de sonhar, por um concelho melhor, descobrimos que o futuro será cinzento.

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