Opinião de Pedro Cabeça
A Poda Agricultura irónica
5 de novembro de 2018
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Depois de um período de pousio neste Notícias de Loures, por andar dedicado à pequena agricultura, não tenho assunto para opinar sobre política local. Assim, resolvi trazer alguns ensinamentos que recebi sobre a Poda.
A poda, seja qual for o vegetal, passa em primeiro lugar por certas regras simples que teremos de respeitar.
Devemos começar por tirar os ramos mortos, eliminando depois os ramos duplicados (os que se cruzam e estão em concorrência com outros que têm a mesma direcção). O corte deve fazer-se acima de um rebento. Deve ser escolhido um rebento situado no exterior do silvado ou da ramada da árvore. O novo ramo assim não estorvará o centro da árvore, antes lhe aconchega a silhueta. Também se aconselha cortes firmes evitando as rasgadelas.
Atenção: os galhos devem ser cortados quando ainda são finos, porque a poda dum galho grosso traz muitos riscos. A árvore pode não ter tempo de fechar a ferida antes do apodrecimento do galho. Então, entram térmitas e fungos, que podem levar a árvore a cair antes da próxima campanha.
Efectivamente, algumas árvores são “decapitadas” com a remoção quase total da copa, e quando interrogadas, as pessoas que fizeram ou comandaram tal atentado ao vegetal, justificam que esta é a forma de revitalizar a árvore.
Os argumentos das pessoas para a poda drástica são fracos e têm muitas vezes origem numa falta de planeamento de quem escolheu a espécie e a plantou em local impróprio.
Atenção: quando se faz a poda em árvores de Frutos Vermelhos, e logo de seguida existe uma poda de Laranjeiras, é muito provável que a árvore de Frutos Vermelhos venha a ter, num espaço muito curto, umas laranjas nos seus ramos.
“A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz.” Fernando Pessoa in Portugal Entre Passado e Futuro.