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Opinião
Patrícia Duarte e Silva – Psicóloga Clínica
Patrícia Duarte e Silva
Psicóloga Clínica

Estado emocional – medo na Infância

Quem tem medo do lobo mau?

7 de maio de 2016
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O medo é um estado emocional que nos deixa vulneráveis, quando experiencia¬mos situações que não conhecemos e que estão fora do nosso controlo.

Na infância, os medos são esperados e têm um efeito normativo e estruturante para a criança.

Quando examinamos os seus medos, podemos observar que na maioria das vezes estes são reflexo dos medos ocul¬tos dos adultos. A criança está a começar a perceber o mundo e esses medos são mais visíveis, sendo por isso importante que ela compreenda completamente e entenda os modos de lidar com cada situação.

Ao ajudá-la a compreender, podemos amenizar os seus medos e ela pode se sentir mais preparada para encarar as adversidades.

Como devem os pais/educadores actuar perante os medos infantis?

Primeiro que tudo reconheça o medo da criança, não o desvalorize!

As crianças têm uma grande imaginação, por isso oriente-as para que a usem em seu favor. Pensemos, por exemplo, numa criança com medo do escuro. Se deixar ficar a lanterna do pai no quarto durante a noite, a criança sentir-se-á mais segu¬ra. Abra as linhas de comunicação, o segredo é dar à criança a informação de que ela precisa para ficar em segurança, mas sem a assustar.

Lembre-se de que abordar questões sobre segurança, explicando as regras e relembrando-a cada vez que surgir a oportunidade, produzem um melhor efeito do que constantes avisos e amea¬ças. Caso a criança não cumpra a regra, terá de haver uma consequência. Essa consequência, a maior parte das vezes traduzida num castigo, deve ser propor¬cional, imediata e uma oportunidade para as regras voltarem a ser relembradas.

Use jogos e actividades para ajudar o seu filho a ser observador. Por exemplo, estar no carro e ir dizendo quais as letras da matrícula, as cores dos outros carros, as particularidades das pessoas que passam. Todos estes exercícios de memória capacidade de observação.

Aceite as perguntas do seu filho, dê respostas curtas, concretas e simples. Devolva a pergunta quando o seu filho lhe fizer uma pergunta difícil, ao conhe¬cer a razão da pergunta saberá como começar a conversa ou como responder à questão.

Muitos sentimentos de medo e preocu¬pação podem surgir quando os nossos filhos são inadvertidamente expostos a imagens que podem ser perturbadoras. Já pensou que o tipo de programas que o seu filho vê diariamente também influen¬cia a maneira como vê o mundo? Muitos jogos, ditos de entretenimento, são mais violentos e assustadores do que telejor-nais. Por isso, moderação é a chave. Coloque a televisão e o computador em sítios onde possa controlar a duração da sua utilização e conteúdo visionado. Sente-se e veja televisão ou jogue no computador com o seu filho sempre que possível, para que assim lhe possa expli¬car questões sensíveis ou confusas, que possam surgir. É importante discutir os pontos confusos e controversos.

Outra situação que importa referir são as situações de violência entre pares.

Os pais têm medo que ocorra bullying com as crianças e muitas vezes, ao prevenirem os filhos de possíveis situa¬ções em que isso possa ocorrer, fazem com que o filho tenha medo antes de ter vivenciado essa experiência. Observe o que está a acontecer na vida do seu filho na escola, no parque, em sítios nos quais ele está a lidar com as pessoas sozinho, deixando-o agir em primeiro lugar por conta própria e, posteriormente, pode mostrar-lhe como é que ele se pode comportar naquela situação específica.

Enquanto é pequena, a criança é quase uma extensão dos nossos sentimentos, se sentirmos medo, ela provavelmente também irá sentir medo. O medo é uma sensação natural, por isso enfrentá-lo é a única forma de o ultrapassar. Não espere que o tempo resolva o problema. Ao aju¬dá-la a compreender, podemos amenizar os seus medos e ela pode sentir-se mais preparada para encarar adversidades.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico

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