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Opinião
Patrícia Duarte e Silva – Psicóloga Clínica
Patrícia Duarte e Silva
Psicóloga Clínica

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Geração Sanduíche

4 de junho de 2016
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Só há pouco tempo me depa¬rei com esta nova terminologia. Ao analisarmos esta expressão, vemos o quanto esta se enqua¬dra na nova realidade dos adul¬tos de hoje, adultos com um intervalo de idades entre os 50 e os 65 anos, que gerem a sua vida entre filhos em busca da sua autonomia e pais que começam a perdê-la.

O que é um cuidador?

Como o próprio nome indica, é alguém que cuida do outro, sendo o outro um idoso ou um dependente.

Esta geração tem a seu cargo dois tipos de dependentes: os pais, quer por incapacidade físi¬ca, quer por cortes sofridos nas reformas, quer por crescente falta de autonomia e os filhos presos entre vínculos laborais precários e a falta de oportunidades no nosso País. Estão “ensanduicha¬dos” entre duas gerações.

Com o aumento da esperança média de vida, os agregados familiares têm uma maior pre¬sença de idosos nas suas redes familiares, ao mesmo tempo que se regista uma saída tardia dos jovens da casa dos pais. O desemprego tardio também vem agravar este panorama. Adultos com filhos, que devido a situa¬ções de desemprego ou dificul¬dades na gestão do orçamento familiar, passam a depender dos pais, quer monetariamente, quer no apoio e na educação das crianças. Existem dois sentimen¬tos associados a estes adultos, o de que estão a retribuir o apoio que lhes foi dado no passado e o sentimento de culpa, asso¬ciado à gestão da vida pessoal/novo papel de cuidador. Como é que as organizações olham para esta nova realidade? Como situações de menor disponibili¬dade, desinteresse e baixa pro¬dutividade por parte dos seus trabalhadores. Qual a razão? A nova rotina familiar. Os novos papéis e exigências colocados a esta geração nem sempre são ajustáveis às obrigações decor¬rentes do contexto de trabalho. O desafio está em conseguir conci¬liar a multiplicidade de exigências que se lhe deparam diariamente. É o confronto entre a gestão das obrigações profissionais e a das pessoais e familiares sem com-prometer nenhuma delas.

Este confronto constante pode conduzir a situações de exaustão física/psicológica e a problemas de saúde derivados desse supor¬te. Não se deixe chegar ao limite da exaustão! Se não cuidar de si em primeiro lugar, não terá con¬dições para cuidar do outro.

Deixo-lhe aqui algumas sugestões:

• Encare a situação! Além de mulher/homem, mãe/pai, filho/filha, agora também é cuidador;

• Procure ajuda! Doenças mais graves, como Alzheimer, cancro, etc. exigem uma maior dedica¬ção. Peça ajuda às pessoas que o rodeiam. Se o seu orçamento o permite, contrate um enfermeiro ou alguém que o posso ajudar com os cuidados necessários enquanto está ausente. Noutros casos, fale com as juntas de freguesia ou centros paroquiais;

• Converse sobre o assunto! Fale com as pessoas que lhe são próximas, tente com a ajuda de todos adequar as novas rotinas;

• Informe-se! Ao saber lidar com determinadas situações e comportamentos, previne o seu desgaste. Fale com a assistente social do hospital ou com um profissional de saúde ou com um psicólogo;

• Cuide de si primeiro! É vital cuidar do seu bem-estar físico e emocional. Tente descobrir o que lhe dá prazer e o motiva fora da nova rotina imposta.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico

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