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Opinião
João Alexandre – Músico e Autor
João Alexandre
Músico e Autor

Ninho de Cucos

Indústria Musical

5 de julho de 2014
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E depois do fundo do poço?

Os sinais de tímida recuperação do negócio da música, em 2012, à custa do crescimento do mercado digital via download (itunes) ou streaming (por ex: spotify), apresentaram no ano transato sinais difusos de evolução. O spotify em grande boom para todo o mundo é, até ver, muito pouco lucrativo para as editoras e os artistas recebem meio cêntimo de euro por cada reprodução de uma faixa. No entanto é bom realçar que antes do spotify a regra era ... a pirataria! De facto, foi já durante o séc. XXI que artistas e produtores come- çaram a notar a diminuição do valor dos seus cheques de royalties.

Aliás foi perceptível para estes intervenientes que não voltariam a obter os proveitos de outrora, pelo menos da mesma forma, continuando muitos deles com enormes dificuldades de adaptação ao novo modelo de negócio, essencialmente digital. Há quem acredite que estamos prestes a embarcar numa nova era, de ouro do mundo da música. Não no sentido de melhor ou pior música mas sim de um negócio bem mais rentável.

O potencial de crescimento do streaming, novos serviços do youtube ou do itunes rádio assim o sugerem, segundo Bobby Owsinski, músico, compositor e posteriormente produtor de renome (Jimi Hendrix, Neil Young, Ramones) e autor de inúmeras publicações em livros e blogs sobre a indústria musical. Se em Portugal, como dizem os responsáveis das editoras, a “coisa” é ainda muito física e que quando fazem música para “novos” não vendem, mas que quando fazem música para velhos vendem, na verdade, os portugueses que usaram o spotify em 2013, ouviram o equi- valente a 2100 anos de música, cerca de 19 milhões de faixas escutadas.

A um nível mais global há uma grande crença no iTunes Rádio (em streaming). Não é para menos se pensarmos que há 600 milhões de usuários no iTunes e que cada um tem um cartão de crédito em arquivo. No streaming abrem-se perspectivas quase ilimitadas. A custo zero ou a um custo muito baixo é possível ter mais música em qualquer lugar e sem sobrecarga dos discos rígi- dos (vantagens evidentes sobre o download digital), para além do desincentivo radical que provocam nos actos de download pirata.

Apple e Google serão porven- tura os maiores beneficiados, porque a música não é o seu core business, a música é ape- nas um acrescento que faz rolar publicidade, links e movimento total. Mais difícil será a vida para spotify ou deezer nos próximos tempos, que negoceiam apenas música com custos de conteúdos elevados. É um caminho mono- polista, algo que não é novo na indústria musical. Quando o vinil surgiu em 1920 existiam centenas de pequenas editoras.

O início do século XXI trouxe-nos 3 ou 4 grandes edito- ras que basicamente adquiriram ou levaram ao fecho de todas as pequenas, a diferença é o tipo de consumo, o fim dos stocks em armazém. Falamos de distribuição de música pela internet. Neste sentido é possível dizer que o negócio da indústria musical pode almejar atingir valores nunca antes alcançados, que o futuro pode ser igualmente melhor para os artistas porque estes poderão realizar mais dinheiro e ser vistos por mais pessoas, que é no fundo o que os artistas desejam, reconhecimento e poder tocar para grandes audiências.

A canção pop perfeita continua a ser bem-vinda mas deixou de ser há muito o motor do negócio da indústria musical. Atente-se aos festivais de música com o incremento do “peso” dos DJ’s, a encabeçarem os respectivos cartazes com estatuto de superstars ou à influência da EDM (Musica de dança eletróni- ca) nos Top Ten de vendas de todo o mundo. É todo um estilo de vida que mudou para uma geração. Por ora o negócio da indústria musical é mais...bits & bytes!

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