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Opinião
Gonçalo Oliveira – Actor
Gonçalo Oliveira
Actor

P'la caneta afora

Lembra-me um sonho lindo

6 de maio de 2019
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Escrevo esta crónica exactamente no dia 25 de Abril de 2019.

Ontem (dia 24 de Abril) estive no Terreiro do Paço a deleitar-me com a música e as letras (poemas) de Fausto Bordalo Dias, a comemorar o 25 de Abril dentro do peito, enquanto o filme de uma vida (a minha) ia passando vertiginosamente à frente dos meus olhos com a sorte da banda sonora ser de Fausto, ao mesmo tempo que embalava o meu Amor entre os meus braços.

Sou um tipo cheio de sorte: passei pelos Beatles, os Rolling Stones, o Jimmy Hendrix, o Jacques Brel, o Léo Ferré, ouvi clandestinamente o “Je t' aime moi non plus” ao mesmo tempo de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e José Mário Branco, vi a Aida de Verdi e a Madamme Butterfly, ouvi ao vivo a 5.ª Sinfonia de Bethoven, vi o Lago dos Cisnes, ouvi ecos longínquos do Maio de 68, assisti pela RTP (a preto e branco, pois está claro!) à chegada do 1.º homem à Lua, ouvi em LP de saudoso e hoje ressuscitado vinil as músicas do mítico Woodstock com a voz da Janis Joplin e do Joe Cocker, vi filmes do Joselito e da Marisol, do Cantinflas, do Charlot e a eterna “Música no Coração”, a tudo isto e muito mais sem ser por ordem cronológica, à queda da bendita cadeira de Oliveira Salazar e subsequente morte e enterro do dito cujo, à inauguração da Ponte (hoje) 25 de Abril, a todo o 25 de Abril ao vivo, em directo e a cores, vi dançar a Companhia de Bolshoi, vi a Companhia de Circo Russo, vi os Cossacos, vi Teatro Japonês, vi a Comuna Teatro de Pesquisa e a Cornucópia e a Barraca e o Teatro O Bando, fui muitas vezes ao cinema Quarteto. assisti à queda da URSS e à do Muro de Berlim, à entrada de Portugal na CEE, ouvi nascer o “Chico Fininho”, os GNR, os Táxi, vi surgirem os telemóveis e os computadores, vi “Voando sob um Ninho de Cucos”, “2001 Odisseia no Espaço” “Laranja Mecânica”, aconteceu a Expo 98, passei pelas Amoreiras e pelo Centro Cultural de Belém e vi passarem Spínola, Eanes, Soares, Sampaio, Cavaco e Marcelo.

Sou um tipo cheio de sorte!

Hoje continuo vivo! Hoje vivo em Democracia! Hoje vivo em Liberdade!

Hoje posso gritar sem ir preso (por enquanto!): Viva o 25 de Abril! Viva a Liberdade!

Não há dúvida! Hoje sou um homem feliz!

Não há dúvida nenhuma: ser Feliz hoje e em Liberdade, é ser um tipo cheio de sorte!

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