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Opinião
Florbela Estevão – Arqueóloga e Museóloga
Florbela Estevão
Arqueóloga e Museóloga

Paisagens e Patrimónios

O arquivo e a biblioteca pública do Forte de Sacavém

31 de agosto de 2018
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Na crónica de hoje não posso deixar de salientar um facto importante para todos aqueles que se interessam por património, e que possivelmente passou despercebido a alguns, o da abertura ao público, no início de agosto, da biblioteca do Forte de Sacavém. Como é sabido, o Forte fica localizado junto à foz do rio Trancão, na urbanização Real Forte. A mencionada biblioteca pertence à Direção Geral do Património Cultural, e possui informação especializada sobre património construído, mas também sobre património móvel integrado, com relevo para aspetos como os da habitação, reabilitação urbana, conservação e restauro.

Este equipamento cultural constitui uma referência nacional, única no país, na medida em que possui um fundo bibliográfico especializado, fundamental para todos os interessados em aprofundar questões alusivas a políticas patrimoniais e ordenamento urbano, bem como questões técnicas relacionadas com o desenvolvimento de ações de salvaguarda e proteção do património edificado e, também, do nosso património natural. Estamos, portanto, perante um organismo que representa um recurso essencial para a preservação da nossa história e, é claro, da educação patrimonial em geral.

Se quando foi construído, em 1875, o Forte de Sacavém fazia parte do Campo Entrincheirado de Lisboa, atualmente, apesar de ter perdido a sua função militar, continua a desempenhar um papel protetor, na medida em que alberga e preserva um património de valor incomensurável, o arquivo nacional onde está guardada a documentação e tudo o que diz respeito ao inventário dos monumentos e obras públicas do país.

Para cumprir uma missão tão relevante, no final da década de 90 do século XX e durante o início do século XXI, o Forte de Sacavém foi sujeito a grandes obras, intervenção necessária de forma a torná-lo apto a cumprir criteriosamente a sua função de arquivo nacional de preciosa documentação. Assim, o seu interior foi alvo de restauro, conservação e readaptação, tendo sido aí instalado o arquivo e inventário da, agora extinta, Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Recordo que este organismo foi um dos departamentos mais antigos concebidos para gerir o património em Portugal, pois que criado em 1929, e responsável por inúmeras intervenções em monumentos portugueses.

Além de uma vasta biblioteca dedicada ao património, urbanismo e habitação social, este edifício alberga igualmente, como referido, o arquivo da antiga DGEMN, e ainda o arquivo de documentação fotográfica relativa aos museus, palácios e monumentos nacionais, e o espólio da Biblioteca da Ajuda e do Laboratório José de Figueiredo.

Estima-se que existam nesta instituição cerca de 12 quilómetros de documentação textual, entre processos de obras e processos administrativos. Parte da informação já se encontra inventariada numa base documental digital conhecida como SIPA, Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, a qual está disponível on-line no site www.monumentos.pt para todo o público interessado.

Neste mês de setembro, entre os dias 28 e 30, comemora-se as Jornadas Europeias do Património, este ano subordinadas ao tema “Partilhar Memórias”. Nesse contexto, salientar, como aqui estou a fazer, a importância documental do arquivo e da biblioteca do Forte de Sacavém, esta última recentemente aberta ao público, como disse, é um pequeno contributo para o espírito e objetivos dessas Jornadas, no sentido da valorização do nosso património e das memórias a ele associadas.

Ao finalizar esta crónica, destaco uma iniciativa inserida no âmbito das celebrações dessas Jornadas Europeias do Património, promovida pela Câmara Municipal de Loures, através do seu Museu de Cerâmica de Sacavém, e designada Os Dias da Memória. Durante os dias 20 e 21 deste mês, o museu estará aberto aos antigos trabalhadores das fábricas de Loures (tanto aquelas que ainda estão em laboração, como as que já desapareceram) que queiram partilhar, através de registo áudio e vídeo, os seus testemunhos, enriquecendo assim o conhecimento do património industrial do concelho e das muitas vivências a ele ligadas. Por isso, aqueles que me lerem e tenham “histórias” para contar, apareçam por favor e deixem o seu testemunho.

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