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Opinião de Joana Leitão

Um ano que não sei se consigo definir

6 de janeiro de 2019
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A nível mundial, 2018 ficou marcado por variadas aventuras do ser humano na conquista do espaço, pela clonagem de duas macacas na China, pela manipulação da memória de lesmas nos Estados Unidos e, entre outros acontecimentos marcantes, uns tantos avanços científicos que permitem ao ser humano viver mais tempo e posicionar-se na corrida ao lugar cimeiro que, outrora, pertenceu aos deuses.

Em paralelo, o ano que passou ficou marcado pela contínua destruição da natureza, num acumular de futilidades que passa a quilómetros de distância da sobrevivência.

Os 12 meses que estão para trás foram, também, mais um ano de manipulação política e económica, de consumismo, de pobreza, de desemprego e de injustiças, um conjunto de circunstâncias que desagrada à generalidade das populações que continuam a revoltar-se no sofá, mas não para além dele.

Outra coisa que não sofreu mudança foi a morte.

Morreu Stephen Hawking, um dos maiores cientistas do século, mas também milhares de outras pessoas que o mundo não nota. Não deixa de ser intrigante que a crescente promoção dos direitos humanos não consiga salvar milhares de pessoas cujas embarcações não chegam ao destino nem vítimas de mutilação genital e de violência que são, na maioria das vezes, crianças, num mundo em que começa a ser mais frequente pagar a liberdade com a vida do que morrer de velhice.

Para nós, morreu o Pedro Santos Pereira. O ano de 2018 ficará marcado, pelo menos na minha pele, pelo recorde de lágrimas por minuto em 40 anos que, ainda assim, não superou o amor que ainda sinto e, pela mistura dos dois, que é agora uma nova forma de ver a vida, cuja fragilidade gostava de me ter apercebido antes. Sorte daqueles que ainda o podem fazer!

Salvou-me, no entanto, aquilo que aprendi, as pessoas com quem me cruzei, os sonhos que persegui, um nascimento, um casamento, a sobrevivência da minha mãe à terceira quimioterapia e a de uma família de amigos a um acidente quase fatal. Bênçãos. Que hoje é possível reconhecer de imediato.

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