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Opinião de Joana Leitão

O QUE PERDEMOS COM A DESTRUIÇÃO DA AMAZÓNIA

10 de setembro de 2019
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Perdemos todos com a destruição da Amazónia e com a destruição das florestas, incluindo as portuguesas, sendo Portugal o país mediterrânico mais afetado pelos incêndios.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% em comparação com igual período de 2018, tendo o país registado cerca de 73 mil focos de incêndio até ao passado dia 19 de agosto, metade deles na Amazónia. Com cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados, entre 2000 e 2017 a Amazónia perdeu parte da floresta equivalente à extensão da Alemanha.

Com o cenário atual estão em risco entre 17 e 20% da água do planeta, assim como quase sete milhões de quilómetros quadrados de florestas, 10% da biodiversidade mundial, a casa de mais de 34 milhões de habitantes e 20% do oxigénio do planeta. Os fogos emitem dióxido de carbono e outros gases com efeitos de estufa, que aumentam a possibilidade de mudanças climáticas no mundo. Consegue imaginar para onde caminhamos?

A Amazónia não volta a ser a mesma e serão precisos, pelo menos, mais 20 anos para recuperar os estragos. Os que são possíveis de recuperar, pois há solos fustigados, por exemplo, pela mineração, com queimadas e máquinas, onde dificilmente se recompõe a vegetação original. E áreas onde o clima é mais seco menor é a capacidade de regeneração. No entanto, a proximidade a uma área de floresta facilita a recuperação, já que as sementes e frutos do local podem originar novas plantas na área destruída. O vento e os pássaros ajudam.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

A fotografia é de um tamanduá-mirim a fugir do fogo. Um, entre milhares de espécies atingidas. Mortas, queimadas. As que podiam ser evitadas com planos de emergência em situação de catástrofe e medidas preventivas também para os animais.

Em Portugal, as queimas têm que ser comunicadas às autarquias e as queimadas são proibidas nas épocas mais quentes do ano, carecendo de autorização municipal, sob pena da aplicação de coimas.

Não podemos apagar os incêndios do passado, mas podemos ajudar a evitar que se repitam. Esta é uma boa altura para repensarmos certos descuidos, tais como atirar cigarros pelas janelas dos carros, e hábitos desnecessários, como gastar muito papel.

Incrível é que a maioria dos incêndios florestais tenham mão humana, e que muitos deles sejam intencionais. Motivados por interesses financeiros. Mas, tal como diz Guy McPherson, “Se pensa que a economia é mais importante do que o ambiente, experimente suster a respiração enquanto conta o seu dinheiro”.

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