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Opinião de Carlos Barros

2020, tempo para Comunicar

6 de janeiro de 2020
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Verificámos, ao longo do ano que passou, o quão importante é que pensemos em temas essenciais a sociedades inclusivas e voltadas para o futuro. Vejamos os exemplos da integração e acompanhamento de migrantes (seja na qualidade de país que recebe ou envia pessoas); no suporte de famílias, em especial dos elementos mais vulneráveis como crianças, jovens, desempregados e idosos; do lugar e voz na nossa democracia. Ainda, do apoio à inserção e capacitação de jovens estudantes.

Os dados referentes ao ensino superior alertam-nos que há crescente número de estudantes que acedem a formação, mas que não se traduz em efetivas conclusões de cursos, muitos possivelmente por falta de recursos financeiros.

Tudo isto são breves exemplos do quão essencial é a consciencialização sobre a redução de desigualdades sociais e a aceitação de sociedades pautadas por diversidade de características individuais/ de grupo, levando-nos à criação de medidas de suporte adequadas às reais necessidades de cada Pessoa.

A par dos mecanismos sociais, a Solidariedade e a Educação ao longo da vida são o caminho para vidas com efetivo bem-estar em todos os domínios: a base interligada e necessária que nos ajuda a perceber a realidade das restantes pessoas. Aprender e ensinar é possível em qualquer contexto e ao longo da vida, tal como prestar ou receber suporte. Quando nos aproximamos da realidade de quem vive fora da nossa pele estamos mais consciencializados, dispostos a aprender, ensinar e identificar pontos de construção de valor em nós próprios e em quem nos rodeia.

É por isto que somos cidadãos e membros integrantes de comunidades: no fundo, somos células de um organismo beneficamente interdependente. Ao longo do ano que passou tive oportunidade de testemunhar na primeira pessoa entidades, projetos e medidas com as quais aprendi e cresci técnica e humanamente. Diretamente de Loures para todo Portugal, destaco um exemplo que admiro, a Associação Duarte Tarré (ADT), uma ONG onde tenho o privilégio de participar numa equipa empenhada em juntar Solidariedade e Educação para o crescimento social.

A ADT foi criada pelo CEO da empresa Gelpeixe, sediada em Loures, Manuel Tarré e pela sua família. Esta iniciativa homenageia o seu filho Duarte que partiu precocemente e tem como objetivo apoiar anualmente estudantes carenciados que frequentam, ou desejem frequentar o ensino superior.

Por que este exemplo é essencial para mim? A ADT não se foca apenas em prestar apoio financeiro, mas antes em compreender (em processo natural de melhoria) como o suporte deve ser transversal nos domínios sociais. Em breve retrospetiva, no ano letivo 2019/20 foram atribuídas quase quarenta bolsas de estudo, perfazendo um total de 227 bolsas ao longo de todos os anos; todos os estudantes beneficiados pela ação tiveram acesso a mentoria contínua por padrinhos/experts sensibilizados para a dinâmica de conciliação trabalho-vida pessoal; e, ainda, acesso a ações de formação e desenvolvimento através de formações interdisciplinares e sessões de coaching profissional.

Fora de portas e conscientes de que a sensibilização para a necessidade de formação especializada e suporte começam já muito antes, promovemos workshops de intervenção contra o abandono escolar junto de estudantes do ensino secundário e atividades culturais para todos sobre Direitos Humanos. Isto para destacar que: dos contextos mais imediatos (familiares, amigos, colaboradores/colegas de trabalho), até aos contextos menos imediatos (as pessoas afetadas pelas nossas ações indiretamente), todos somos responsáveis por criar uma realidade justa na qual queremos viver.

Assim, comecemos por comunicar. A meu ver, comunicar é a forma mais imediata de promover educação, de “calçar os sapatos do Outro”, o que nos leva a construir solidariedade consciente, sustentável e adequada às realidades sociais. A meu ver, o desafio para este novo ano (e para o resto da vida), reside na comunicação, que se revela como a forma mais eficaz de aprender e crescer para um mundo mais apto a gerir os desafios. A todos/as um excelente Ano Novo!

 

Carlos Barros

Gestor de Projetos da Associação Duarte Tarré, Investigador em Psicologia Social e Consultor

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