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Notícias | Saúde

Luz visível, o calor e as radiações ultravioletas

Radiações ultravioletas e prevenção da doença

9 de julho de 2018
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As emissões de origem solar e que atingem a terra incluem a luz visível, o calor e as radiações ultravioletas (RUV). A RUV faz assim parte do espectro da radiação solar de 100 a 400 nm e pode ser dividida segundo 3 faixas de comprimentos de onda: A dos 315 aos 400 nm, B entre 280 e 315 nm e C entre os 100 e os 280 nm.

A RUV-B, mais nociva, que incide na terra é absorvida principalmente pelo ozono estratosférico que funciona como filtro entre os 10 e os 50 Km de altitude e que, graças à poluição atmosférica, é destruído, reduzindo-se desta forma o principal factor de protecção colectiva da RUV. Quanto mais fina a camada de ozono menor a capacidade de filtração da RUV.

Os níveis de RUV podem ser influenciados por diversos factores ambientais entre os quais se destacam a altura do sol – quanto mais alto, maiores níveis de RUV, sendo o pico nos meses de verão nos países temperados como Portugal atingido por volta do meio dia, a latitude – quanto mais próximo do equador maiores níveis de RUV, reflexão na superfície terrestre – a neve reflete 80%, a areia da praia 15% e a espuma das ondas 25%, nebulosidade - os níveis de radiação UV podem ser elevados devido à dispersão de RUV pelas moléculas de água e partículas finas na atmosfera, altitude – por cada 1000 metros os níveis de RUV aumentam 10 a 12%.

Mas nem toda a exposição UV é prejudicial para os indivíduos. Os benefícios para a saúde humana remontam ao século XIX sendo prática recomendada para o tratamento da tuberculose, e ao século XX para o estímulo de produção de melanina com o bronzeamento da pele, para o tratamento da icterícia nos recém-nascidos, prevenção do raquitismo e fortalecimento dos ossos com o estímulo de produção de vitamina D, tratamento da psoríase, reforço do sistema imunitário e, porque não, para uma sensação de bem-estar físico e mental.

Por outro lado, a exposição prolongada a grandes quantidades de RUV é comprovadamente prejudicial para as pessoas. Estão demonstrados os efeitos graves em especial para a pele, como o tumor maligno – melanoma, para os olhos com o aparecimento de cataratas e conjuntivites e para o sistema imunitário – imunossupressão.

Os efeitos podem ser de menor gravidade, mas não menos incomodativos, se a exposição for intensa e de curta duração com o surgimento das queimaduras solares “o conhecido escaldão” muito frequente a quem adormece na praia ao sol.

As medidas gerais de protecção individual incluem o uso de óculos de protecção com filtro UV, chapéu, T-shirt, guarda sol, protector solar e evitamento da exposição das crianças ao sol.

Reforça-se a importância da protecção dos olhos com óculos dotados de filtro UV. A directiva CE 89/686/CEE recomenda aos fabricantes a indicação da categoria de protecção das lentes para a luz visível e UV. Para uso geral recomenda-se a categoria 3 e para o montanhismo e desportos náuticos a categoria 4. É assim boa prática para o consumidor a consulta da categoria da protecção quando da aquisição.

Para a protecção das zonas não cobertas da pele recomenda-se o uso de protectores solares contendo filtro UV (é de novo boa prática a consulta da rotulagem). Nas primeiras exposições solares deve aplicar-se um factor de protecção solar de cerca de 30, que reduz em cerca de 95% a RUV, antes da exposição ao sol e após o banho de mar ou piscina.

As férias aproximam-se, desfrute-as em boa saúde e não se esqueça, proteja-se.

José Calado

Médico

Unidade de Saúde Pública do ACES Loures Odivelas

Nota: o autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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