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Notícias | Política

Eleições para o Município

Bernardino reeleito

8 de outubro de 2017
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As Autárquicas de 2017 foram ricas em surpresas, depois de um mediatismo nacional nunca antes visto. Muitos podem clamar vitória mas, na realidade, quase todos também têm derrotas, o que é natural em 12 tipos de escrutínio diferente.
Houve triunfos para todos os gostos, desde os óbvios até às surpresas e figuras incontornáveis, caso de André Ventura, o verdadeiro agitador da campanha eleitoral, que inverteu um processo de descida do PSD, que vinha desde 1993.

Bernardino Soares

Nas eleições para o Município um dado fica claro, o vencedor é Bernardino Soares. O objetivo principal da sua candidatura era a vitória, tal como o de Sónia Paixão e, neste particular, a vitória sorriu ao candidato comunista.
Mas não foi um triunfo esmagador, bem pelo contrário, apesar de claro. A vitória nunca esteve em causa, mas foi pequenina com vários dissabores agregados. O primeiro foi a perda de um vereador, Tiago Matias, em detrimento de Ivone Gonçalves da coligação Primeiro Loures. Um primeiro revés que não seria o único. Perto do final da campanha eleitoral, Bernardino Soares pediu a maioria absoluta e a resposta do eleitorado foi um rotundo não, tendo sido o Presidente eleito com menor taxa de votação de sempre. Aliás, já houve segundos classificados com melhor percentagem, casos do comunista José Augusto Gouveia (32,83%) e dos socialistas Riço Calado (33,19%), Vítor Ramalho (39,31%), António Costa (33,53%) e Menezes Rodrigues (34,24%). Também foi o único Presidente reeleito a descer a votação no segundo mandato. Dados estatísticos que permitem perceber algumas fragilidades desta vitória, mas que não deixa de ser um triunfo, aquele que todos desejariam.

Sónia Paixão

A segunda classificada, Sónia Paixão, foi a grande derrotada. Primeiro porque era a única que poderia almejar a cadeira de Bernardino Soares e depois porque os números não foram nada simpáticos para a candidata socialista.
Se, por um lado, conseguiu os mínimos, manter o número de representantes, por outro alcançou a segunda pior votação de sempre do PS, apenas José Lino (28,08%) teve pior percentagem. Aquando da apresentação da candidata socialista as expetativas eram grandes, o PS acreditava que podia superar o registo de João Nunes em 2013 (31,24%), algo que não veio a acontecer, com uma queda de três pontos percentuais (28,24%) e uma perda de, praticamente, mil votos absolutos, apesar da descida da abstenção.

André Ventura

O candidato da coligação Loures Primeiro foi o grande vencedor moral. Quando foi anunciada a sua candidatura ninguém vaticinava um resultado como o que obteve (21,55%). A tendência do PSD era uma perda constante na percentagem na votação, algo que vinha a acontecer desde 1989, com a candidatura de Pacheco Pereira (26,18%). Um quarto de século para inverter uma curva descendente, mas não foi só uma pequena viragem, foi uma subida de 5,55%, obtendo um resultado que não era alcançado desde 1993 com Malato Correia (21,66%). Aliás, após a separação de Odivelas do Município de Loures nunca nenhum candidato social-democrata obteve tantos votos, quer percentualmente, quer absolutos.

Outras candidaturas

O BE voltou a manter a quarta posição não conseguindo, novamente, a eleição de um vereador. Saiu derrotado, de forma clara, da luta que manteve com André Ventura, apesar de ter subido a percentagem de votos, passando de 3,15% para 3,55%.
O CDS-PP tinha como handicap a apresentação tardia da sua candidatura, após rutura com a coligação Primeiro Loures. Os seus objetivos não foram alcançados, apesar de se manterem como a quinta força no Concelho, pois estiveram longe, muito longe, de ficar à frente de André Ventura, um dos objetivos definido por Pedro Pestana Bastos. A percentagem de votação também desceu, passou de 3,07% para 2,86%.
O sexto classificado voltou a ser o PCTP/MRPP, apesar de ter descido de 2,90% para 2,55%.
Destaque para o PAN que, na sua primeira participação nas autárquicas de Loures, obteve uma votação de 2,08%, alcançando 1 824 votos, o que tem alguma relevância.

Curiosidades

- A CDU tem dois terços de vitórias nas eleições para o Município, 8 em 12.
- O número de mulheres eleitas vereadoras dobrou em relação a 2013. Além das reeleições de Sónia Paixão (PS) e Maria Eugénia Coelho (CDU), juntam-se Rita Leão (PS) e Ivone Gonçalves (Primeiro Loures).
- As autárquicas de 2017 foram aquela s em que houve um maior número de candidatos à liderança do Município, 10. O anterior máximo datava de 1997, com oito candidaturas.
- A situação de o vencedor das eleições ter o mesmo número de vereadores que o segundo partido mais votado não é novidade, pois tal já aconteceu em 1993, quando Demétrio Alves (CDU) venceu António Costa (PS), tendo ficado com quatro vereadores cada um. Também, nesse ano, o PSD obteve três vereadores, tal como agora.
- Apesar de a abstenção ter baixado (47,69%), em comparação com 2013 (50,54%), foi o segundo pior resultado de sempre.

Pedro Santos Pereira

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