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A Feira Setecentista de Santo Antão do Tojal fez 20 anos no passado dia 24 de setembro

Reviver o passado em Santo Antão do Tojal

1 de outubro de 2016
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Milhares de pessoas foram até Santo Antão do Tojal para uma «viagem» até à época de D. João V. A Feira Setecentista de Santo Antão do Tojal fez 20 anos no passado dia 24 de setembro e atraiu visitantes de todo o país. O cortejo saiu, pela primeira vez, de São Julião do Tojal.

Uma viagem no tempo, com «aterragem» em pleno século XVIII foi o mote para a visita de milhares de pessoas de dentro e fora do concelho de Loures à freguesia de Santo Antão e São Julião do Tojal, no fim-de- semana de 24 e 25 de setembro. Com mais de 350 figurantes vestidos a rigor, representações de cenas do quotidiano setecentista, espetáculos de coro, gaitas de foles, pregões, zaragatas, danças e saltimbancos, a Feira Setecentista de Santo Antão do Tojal fez 20 anos naquela que terá sido a sua melhor edição de sempre. Bruno Pereira, 33 anos, foi um dos visitantes atraídos de fora do concelho para a reconstituição setecentista de Santo Antão do Tojal.

Fascinado com o ambien- te envolvente, o visitante deixou o concelho de Sintra para passar o dia na Feira de Santo Antão. «Penso que a festa está a ser bastante interessante, as representações estão excelentes e o ambiente está muito bom», adianta ao NL. «Vim de Sintra, tive conhecimento da festa atra- vés de um familiar que reside no concelho de Loures e decidi vir, até porque gosto muito de festas de época», acrescenta.

«Ainda ontem estive no Palácio de Queluz, numa festa noturna que representava esta mesma era e penso que estas iniciativas são bastante interessantes também a nível histórico», afirma Bruno Pereira. «Por outro lado, é bom porque trazem mais visitan- tes às freguesias e ao concelho, mais dinâmica e vivacidade e envolvem as pessoas locais», avança. As famílias marcaram presença em força na Feira Setecentista, atraídas pelas representações históricas e pelas tendas de petiscos. As visitas ao Palácio da Mitra esgotaram rapidamente e a praça encheu-se de convivas, que celebravam os espetáculos e compunham o ambiente.

«Esta festa tem também um objetivo turístico e cultural», explica Sílvia Santos, chefe da unidade de Turismo da Câmara Municipal de Loures. «Todos os anos, há milhares de pessoas que se deslocam a Santo Antão do Tojal para ver esta recriação histórica e o objetivo é trazer cada vez mais a visitar o nosso património e a nossa cultura, dinamizando tam- bém a nossa economia», detalha a responsável. «É uma iniciati- va que dá muito trabalho, numa parceria da Unidade de Turismo com a Junta de Freguesia e que demora muitos meses a preparar, mas que é extremamente compensadora», acrescenta. Quanto a estimativas, Sílvia Santos aponta para 10 mil o objetivo do fim-de-semana.

«Fizemos diversas ações de promoção e divulgação, desde ‘outdoors’ a telas, passando por divulgação em base de dados e promo- ção no website da autarquia», desvenda. Já quanto à impor- tância da festa para o turismo do concelho, a responsável é taxativa: «Este tipo de eventos são verdadeiramente importan- tes para dinamizar o turismo da região, porque trazem pessoas de fora do concelho. Há muitas festas no concelho de Loures que são destinadas às pessoas de cada freguesia, mas este tipo de eventos traz muita gente de fora, nomeadamente de vários pontos do país. As pessoas têm muito interesse em saber um pouco mais da História de Portugal».

20 anos a «viajar» para o século XVIII

Reza a história que, até 1755, data em que a Várzea deixou de ser navegável, devido ao terra- moto que destruiu a capital, todas as pedras, estátuas e carrilhões que seguiram para o Convento de Mafra foram descarregadas e benzidas em Santo Antão do Tojal, tendo depois seguido para o convento. O Palácio dos Arcebispos – Palácio da Mitra -, mandado construir pelo primeiro patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, foi projetado pelo arqui- teto italiano António Canevari, o mesmo que projetou o Aqueduto das Águas Livres. Esse palácio servia para o rei D. João V pernoitar quando se deslocava ao Convento de Mafra.

O Aqueduto dos Arcos, por seu turno, tem uma extensão de dois quilóme- tros e tinha como objetivo trans- portar água para o Palácio do Rei e para a Fonte Monumental, situada hoje na estrada nacional 115. Uma cena que podia ter saído de um filme de Manoel de Oliveira e que foi retratada por escrito no livro «O Memorial do Convento», de José Saramago. Foi para reconstituir esta cena que mais de 350 figurantes vestidos à época reservaram o fim-de- semana para participar na Festa Setecentista de Santo Antão do Tojal, que teve como ponto alto o cortejo noturno a retratar a chegada do rei D. João V e a bênção das estátuas por D. Tomás de Almeida.

Uma festa que é já uma das imagens de marca da fregue- sia e que muito orgulha as gentes da terra. «Esta festa teve início em 1996, portanto realiza-se há 20 anos, duas décadas em que fazemos uma reconstituição his- tórica do que se passou no sécu- lo XVIII aqui na freguesia», conta, com orgulho, João Florindo, pre- sidente da junta de freguesia de Santo Antão e São Julião do Tojal. «Com esta iniciativa, pre- tendemos divulgar o património histórico que temos na freguesia, porque Santo Antão é a localida- de com mais património histórico de todo o concelho», avança.

«Um dos objetivos é trazer visi- tantes e, com isso, dinamizar a atividade económica da região, através de um conjunto de enti- dades da freguesia, que montam as suas tendas e vendem os seus produtos», explana João Florindo. Adiantando que o lucro reverte, na totalidade, a favor das coletividades, o presidente revela que «este ano temos 82 tendas, pelo que o evento está a crescer, até porque as pessoas têm vindo ao evento e têm voltado». E, do ponto de vista, económi- co, «tem inúmeras vantagens, dado que, numa altura em que o comércio local atravessa sérias dificuldades, ter aqui toda esta gente, que depois acaba por comer por cá, faz a diferença», acrescenta.

A edição de 2016 teve uma novi- dade, que foi o fato de o cortejo partir de São Julião do Tojal, devido à agregação das fregue- sias. «Queremos que as pessoas do outro lado também participem e façam parte da festa, tal como os novos residentes», conta João Florindo. A Junta de Freguesia conse- guiu partilhar os custos totais com a Câmara Municipal de Loures, cabendo-lhe compartici- par com cerca de 10 mil euros. «Esperamos ter cá uns milha- res de pessoas, sabemos que o ano passado superou todas as expectativas e este ano espera- mos ter ainda muito mais gente, pelo que esperamos um retorno bastante superior ao investimen- to», aponta João Florindo.

André Julião

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