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Notícias | Desporto e Lazer

Escola Secundária Arco-Íris, na Portela

Futsal pode ficar sem pavilhão

10 de maio de 2017
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O pavilhão gimnodesportivo da Escola Secundária da Portela, também conhecida como Escola Arco-Íris, está com graves problemas de infiltrações de água quando chove. Defeitos na construção original terão estado na génese do problema, que este ano foi agravado pelas fortes chuvadas do inverno. Além de prejudicar as aulas de educação física, as infiltrações têm provocado o adiamento de jogos das equipas de futsal da Associação dos Moradores da Portela (AMP) e levado ao pagamento de pesadas multas.
«Nós temos sido muito afetados com essa situação», revela Armando Jorge, coordenador de futsal da AMP. «Já tivemos três a quatro jogos que não foram realizados, com as coimas consequentes, principalmente em jogos de campeonato nacional, em que já são elevadas», conta.
«Mal começa a chover, cerca de dois metros quadrados do campo ficam impraticáveis e obrigam a terminar os jogos, porque os jogadores podem cair a contrair lesões graves», acrescenta o responsável. «De tal forma que, basta estar a chover, para que os árbitros já nem iniciem o jogo», sustenta Armando Jorge.
A situação não é nova, mas tem-se agravado nos últimos tempos. «Quando chegámos à escola, em 2009/10, apercebemo-nos logo de que o pavilhão gimnodesportivo tinha um problema grave de infiltrações», disse ao MP, Marina Simão, diretora da Escola Secundária da Portela. «Sempre que chovia, havia vários pontos na sala de ginástica e no pavilhão central onde a água infiltrava e fazia poças no chão», ilustra. «Na altura, julguei que era o Ministério da Educação que tinha que resolver a situação, pelo que pedi à DGEstE – Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares - que fizesse a intervenção», avança Marina Simão. «Houve uma intervenção no telhado, mas a resolução do problema não foi totalmente eficaz, tendo aguentado o pavilhão durante uns tempos», adiciona. O construtor alertou então que havia um problema grave estrutural no telhado que teria de ser corrigido. Bastavam algumas rajadas de vento para levantar a cobertura e fazer entrar água.
«Este ano, houve chuvadas muito fortes e entrou água com grande intensidade no pavilhão e na sala de ginástica, o que prejudicou muito as aulas de educação física e causou prejuízos às equipas de futsal da Associação dos Moradores da Portela», desvenda a diretora. «A Câmara Municipal de Loures já cá veio ver a situação e disseram-me que iam ver o que conseguiam fazer», acrescenta.


Autarquia nega responsabilidades

De acordo com a direção da Escola Secundária da Portela, existe um protocolo antigo entre a escola e a autarquia, uma vez que o pavilhão desportivo é fruto de uma parceria entre o Ministério da Educação e a Câmara Municipal de Loures. O protocolo está a ser debatido, desde Dezembro de 2016, com vista à sua renovação. «Os diretores de escolas com pavilhões deste tipo fizeram uma proposta à autarquia, por causa da sua manutenção, uma vez que a Câmara só dá dinheiro no âmbito da ocupação que existe da comunidade, o que, no nosso caso, tem a ver com a Associação dos Moradores, que ocupa praticamente todo o tempo de final de dia e final de semana do gimnodesportivo», conta Marina Simão. «Por outro lado, sabemos que nalguns gimnodesportivos do concelho houve intervenção da Câmara e nesta escola, apesar de termos falta de recursos financeiros e estarmos numa situação deficitária, ainda não houve alteração do protocolo, nem apoio para este grave problema», acrescenta. «A nossa proposta inclui algumas despesas de grande vulto, que deverão ser suportadas pela Câmara, nomeadamente a do ginásio, porque o protocolo é antigo e os valores atribuídos pela edilidade são muito baixos», avança ainda a diretora.
Contactada pelo NL, a Câmara Municipal de Loures, pela voz do seu assessor de imprensa, negou haver qualquer protocolo ou gestão partilhada do gimnodesportivo com a Escola Secundária da Portela. «O que há é um protocolo com a Associação dos Moradores da Portela, em que a Câmara se responsabiliza pelo pagamento do tempo em que a associação ocupa o pavilhão», afirma ao MP, Fernando Correia, assessor de imprensa da edilidade. «Como tal, a responsabilidade da reparação da cobertura do pavilhão é integralmente do Ministério da Educação, dado tratar-se de uma escola tutelada pelo Estado», avança o responsável.
Por seu turno, o Ministério da Educação revelou ter acompanhado o caso, «promovendo um diálogo ativo com a direção da escola, tendo já sido realizada uma intervenção urgente, ao nível da recuperação das claraboias, que teve lugar em 2016», conta Ana Machado, assessora de comunicação do Ministério. «A situação da cobertura do pavilhão já foi também sinalizada e está a ser considerada com vista à inclusão no âmbito do plano de investimentos da Educação», acrescenta. No entanto, quando questionada quanto à data de arranque do tal plano de investimentos, a responsável não soube adiantar qualquer informação.
Enquanto não há plano de investimento estatal nem atuação autárquica, a freguesia de Moscavide e Portela pode deixar de ver jogar no seu território as suas equipas desportivas, por falta de um pavilhão em condições. «O pavilhão não é da AMP, por isso não podemos fazer nada, mas, a verdade é que, em dias de chuva, não podemos jogar ali», revela desalentado Armando Jorge. «E isso implica o adiamento dos jogos e até estarmos sujeitos a que a Federação ou a Associação de Futebol de Lisboa nos obriguem a arranjar outro pavilhão», alerta.

André Julião

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