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Notícias | Cultura

Arte Pública no Concelho

E a arte saiu à rua

2 de julho de 2016
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Mais de uma centena de artistas assentaram arraiais durante uma semana para transformar o concelho de Loures numa autêntica galeria a céu aberto. Organizado pela Câmara Municipal de Loures, o Loures Arte Pública trouxe ao concelho, entre 18 e 26 de Junho, graffiters, produtores de land art, desenhadores da associação Urban Sketchers, especialistas em fotografia e artistas de outras formas de expressão, desde escolas a associações de reformados.

«A iniciativa surge na sequência do que temos vindo a produzir na Quinta do Mocho», explica Maria Eugénia Coelho, vereadora da Educação, Coesão Social e Habitação da Câmara Municipal de Loures. Para a Vereadora, «Loures é, cada vez mais, uma referência de arte urbana a nível nacional e internacional», nomeadamente «a galeria de arte pública da Quinta do Mocho, com mais de 51 empenas pintadas pelos melhores artistas do mercado e os núcleos da Quinta da Fonte e de Loures». Antes do Loures Arte Pública, o Concelho já era conhecido pela arte urbana da Quinta do Mocho, que tem levado muita gente de fora do Município a visitar aquele bairro de Sacavém. A iniciativa serviu para aproximar ainda mais a arte das pessoas, acrescentando-lhe o cariz de intervenção social característico do projecto na Quinta do Mocho, mas alargando-o a todo o Concelho.

«Assim que lançámos este desafio, houve um conjunto superior a uma centena de artistas que manifestou a sua vontade de participar», revela Maria Eugénia Coelho. Mais de 100 artistas – 70 nacionais e 30 estrangeiros - que espalharam a sua arte por todo o Concelho, desde empenas de prédios a depósitos do SIMAR, escadarias, escolas ou até caixas da EDP. A adesão popular foi também bastante significativa, o que levou a diversos contactos de populares a solicitar obras no seu bairro ou no seu prédio. Isto porque os locais das obras foram precedidos de uma consulta popular, onde os habitantes de várias zonas do Concelho foram convidados a sugerir locais onde gostavam de ver obras de arte urbana.

«O próprio Parque Municipal do Cabeço de Montachique contou com a participação dos alunos da Escola Superior de Educação de Lisboa, que espalharam obras de Land Art pelo recinto», desvenda a Vereadora. As novas obras de arte pública do Concelho vão ter visitas guiadas, à imagem do que já acontece na Quinta do Mocho e na Quinta da Fonte, no último e no primeiro sábado de cada mês, respectivamente.

«Prevemos que, após a conclusão desta iniciativa, vamos produzir um folheto com a divulgação das obras e a sua localização e depois temos de pensar como faremos as visitas guiadas a todas as novas obras», conta a responsável. «Não será fácil visitar, num único dia, todas as obras espalhadas pelo Concelho, mas temos de estudar a melhor forma de o fazer», acrescenta.

Uma imagem de marca a nível nacional

O Loures Arte Pública teve ainda como objectivo consolidar Loures como marca de excelência da arte urbana em Portugal. Uma prova disso são as «largas dezenas de visitas para escolas, associações de reformados, universidades séniores, quer do Concelho, quer de fora», revela Maria Eugénia Coelho.

A bem sucedida experiência na Quinta do Mocho esteve na génese de todo este movimento artístico. «Neste bairro, a intervenção social da arte urbana foi fundamental para a aproximação da Câmara aos moradores e para desconstruir alguns estigmas que existiam, até porque o graffiti tem sempre um grande cunho de intervenção social», avança a vereadora. «Não há nenhum artista que tenha ido à Quinta do Mocho e que, ao produzir as suas obras, não tenha tido em conta a envolvente do local onde as produziu», adiciona.

O contacto com a população leva a que as obras tenham em conta a relação directa que se estabelece com os habitantes locais. No Loures Arte Pública, os artistas também tentaram essa fonte de inspiração. «O que consideramos muito importante é que este tipo de arte aproxima a cultura das pessoas que habitualmente não frequentam os circuitos normais: os museus, as galerias de arte e outros», defende Maria Eugénia Coelho. «A arte tem de estar na rua e iniciativas como esta são a aproximação da arte às pessoas, sensibilizando-as para o que é belo e motivando à participação e à criação artística», acrescenta.

Por outro lado, o facto de Loures ser já uma galeria a céu aberto permite a apropriação por parte da população do espaço público e a sua convivência nesse espaço com os seus vizinhos. «Isso é fundamental para a transformação que estamos a construir no concelho de Loures: a apropriação do espaço público, a aproximação das pessoas e a democratização da cultura, mesmo a mais erudita», explica a vereadora.

«Loures, sendo uma marca, nacional e internacional, deste tipo de expressão é sentida pela população como motivo de orgulho e de pertença», afirma ainda Maria Eugénia Coelho. A iniciativa ultrapassou as expectativas da Autarquia, sobretudo no que se refere à adesão da população. «Há focos de alegria espalhados por todo o território e penso que o concelho de Loures não voltará a ser o mesmo», sustenta a responsável. Não é por acaso que a arte é a forma de expressão que o ser humano encontrou para se relacionar com os outros e com o mundo.

André Julião

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