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Notícias | Cultura

Museu de Cerâmica de Sacavém - Exposição

À espera de ser preservado

7 de maio de 2016
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Mudam-se os tempos... e as indústrias. O concelho de Loures foi no séc. XIX e XX um dos concelhos mais industrializados do distrito de Lisboa, tendo acolhido empresas como a Fábrica de Papel da Abelheira, a Fábrica de Loiça de Sacavém, a Fábrica de Moagem de Domingos José de Morais & Irmão, a Covina, os Móveis Olaio, a Sacor, a Fábrica Nacional de Munições e Armas Ligeiras, a Fima, a Unilever, entre outras. Recorde-se que a Fábrica de Loiça de Sacavém chegou a ser uma das 25 maiores indústrias do País, com cerca de 750 trabalhadores. "O que se pode dizer sobre o concelho de Loures é que de facto a evolução da sua paisagem é acompanhada pelo desenvolvimento industrial. A proximidade com Lisboa associada ao lançamento do caminho de ferro e de vias fluviais, levam a uma implantação industrial, no séc. XIX, com certa planificação, entre os Olivais e Vila Franca de Xira. O concelho de Loures é ainda beneficiado por vias de comunicação, da zona saloia, com entrada em Lisboa pela Calçada de Carriche e do rio Trancão, com importante expressão na fixação de empresas na zona de Sacavém", explica Jorge Custódio, coordenador geral da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial. Mas foi na segunda metade do séc. XX que a indústria mais se desenvolveu na zona oriental de Lisboa e, com ela, a população mais que quadruplicou. Ao que consta, vieram muitos trabalhadores das Beiras e Alentejo na esperança de uma vida melhor. O fluxo de trabalhadores e a necessidade de mão-de-obra levou mesmo à criação de bairros operários, como o bairro da Petrogal, na Bobadela e o bairro da Covina, em São João da Talha e bairros "clandestinos", que foram surgindo um pouco por todo o Concelho, em parte, fruto do preço dos terrenos na periferia de Lisboa. Mas, os tempos mudaram …Os momentos áureos da indústria vêm a conhecer uma nova realidade. A concorrência externa e a falta de modernização, entre outros fatores, ditaram o encerramento de algumas fábricas, como a Fábrica da Loiça de Sacavém, em 1983, os Móveis Olaio, em 1995, a fábrica de Moagem de Domingos José de Morais e & Irmão, a Fábrica de Cortiça Tavares & Cª Lda., a Fábrica de Curtumes de Henrique Rodrigues dos Santos, entre outras. Mais recentemente, foi a fábrica da Lever de Sacavém que fechou portas, em 2013. Neste caso, porém, os trabalhadores foram transferidos para as empresas Fima e Iglo do mesmo grupo, que ao contrário da Lever, se mantêm em laboração. "Há vestígios industriais interessantes, como ruínas e outros testemunhos, no concelho de Loures. Mas pouca coisa está preservada. Tem a ver com a nossa cultura. Dá-se pouco valor ao património arquitetónico, apesar da preservação ser um direito e um dever mencionado na nossa Constituição. O património é futuro, não é passado É ele que nos permite criar laços à nossa História", refere Jorge Custódio.

"A arqueologia industrial é uma ciência que estuda as manifestações da sociedade industrial no espaço e no tempo. E há vários estudos no Concelho sobre indústrias que encerraram. Quanto à preservação de vestígios nem sempre isso é possível", continua. A Fábrica de Loiça de Sacavém é um caso de sucesso. "Esta Fábrica é um exemplo de preservação de património industrial, com a conservação de um dos fornos e o aproveitamento do espaço para Museu. Contudo, há outras fábricas, com idêntica relevância no Concelho, que não foram preservadas. É o caso da Fábrica de Moagem de Sacavém, cuja obra foi embargada", explica o nosso interlocutor. E é em nome da nossa história e do nosso património, que está patente, no museu da Fábrica de Loiça de Sacavém, Museu de Cerâmica de Sacavém, a exposição "Arqueologia Industrial. Um mundo a descobrir, um mundo a defender". Uma visita " obrigatória" que muito explica o ordenamento e evolução do concelho de Loures. A referir, contudo, que apesar do encerramento de algumas fábricas que ditaram o progresso deste Concelho, este continua a ser um "polo" industrial importante às portas de Lisboa. A Fima Olá - Produtos Alimentares, a Covina, a Copam, a Sociedade Lisbonense de Metalização, a Alcântara Açucares e a Kilom são apenas alguns dos exemplos de sucesso no Concelho que dão emprego a muitos milhares de trabalhadores.

Paula Gomes

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