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Notícias | Atualidade

14 famílias sem teto

Incêndio no Bairro da Torre

7 de agosto de 2018
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Autarquia já realojou quatro famílias e pediu ajuda ao Governo para resolver problema das restantes. Bloco de Esquerda acusou Câmara de Loures e Governo de “responsabilidades significativas” na situação do Bairro da Torre.

Um intenso incêndio, que deflagrou na madrugada de 21 para 22 de julho deixou 14 famílias desalojadas no Bairro da Torre, em Camarate. O alerta foi dado perto da uma da manhã e os bombeiros acorreram de imediato ao local. Um morador desmaiou ao ver a sua casa a arder e uma adolescente teve um ataque de pânico. Houve ainda duas pessoas assistidas por inalação de fumo.

Uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Lisboa explicou ao Público que o fogo entrou em fase de rescaldo às 2h12 – pouco mais de uma hora depois de ter deflagrado – e no local estiveram 42 operacionais, apoiados por 17 veículos. Os bombeiros referem que o incêndio começou numa barraca habitacional e que se propagou para outras, sendo que a existência de material inflamável junto às habitações dificultou o combate ao fogo.

Em comunicado, a Associação de Moradores Torre Amiga sustentou que “a precarização do acesso à rede elétrica e a incerteza quanto ao destino das famílias residentes depois de duas demolições e tentativas de despejos forçados levou a que todos os moradores tenham optado por fazer baixadas ilegais, apesar de anteriormente cumprirem os contratos com a EDP e, portanto, tivessem acesso legal à eletricidade”.

Entretanto, a Câmara Municipal de Loures divulgou que já foram realojadas quatro das 14 famílias afetadas pelo incêndio, estando a autarquia à procura de uma alternativa habitacional para as restantes. O presidente da edilidade, Bernardino Soares, lamentou o incêndio e instou o Governo a intervir na procura de uma solução definitiva para todos os moradores, sublinhando que “a autarquia não tem capacidade para resolver o problema sozinha”. O Governo também se mostrou disponível para apoiar as famílias afetadas pelo incêndio, referindo que já foi apresentada à autarquia uma lista de habitações disponíveis. O Ministério do Ambiente, que tutela a área da Habitação, emitiu um esclarecimento onde afirma que o Governo “está a acompanhar” a situação das famílias afetadas e que, através do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), já apresentou à Câmara Municipal de Loures “uma lista com frações habitacionais disponíveis no âmbito do seu património para realojamento imediato”.

Responsabilidades partilhadas?

No rescaldo do incêndio, o Bloco de Esquerda acusou a Câmara Municipal de Loures e o Governo de terem “responsabilidades significativas” na situação que potenciou o incêndio. Para Fabian Figueiredo, dirigente nacional do Bloco e candidato à Câmara Municipal de Loures nas últimas autárquicas, “é inaceitável que a situação do Bairro da Torre continue a arrastar-se após diversas promessas de realojamento e de melhoria das condições de vida das famílias que ainda lá residem”. Para o dirigente bloquista, “por sorte, não houve vítimas a lamentar, mas a situação atual do bairro é bastante propícia a novas tragédias”.

O responsável bloquista defendeu ainda que “a atitude da Câmara Municipal de Loures neste processo tem sido de uma enorme insensibilidade e dado mostras de uma total incapacidade para a resolução do problema destas famílias”. No Bairro da Torre vivem cerca de 200 pessoas, segundo a associação de moradores, num total de 47 famílias “em situação de grave precariedade, com baixos níveis de escolaridade, baixos rendimentos e muito más condições de habitabilidade”.

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