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Notícias | Atualidade

Camarate unido

Contra encerramento dos CTT

5 de fevereiro de 2018
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A iniciativa que decorreu no dia 20 de janeiro contou com cerca de 150 pessoas, que encheram o espaço, procurando respostas para as suas inquietações provocadas pela decisão dos CTT de encerrar 22 lojas, incluindo o balcão de Camarate, no âmbito do Plano de Reestruturação da Empresa.
Durante mais de duas horas, muitas vozes se levantaram contra a hipótese de a União de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, com cerca de 35 mil habitantes, ficar sem a sua única estação de Correios.

 

Renato Alves, presidente da UFCUA

De acordo com o presidente da União de Freguesias de Camarate, Unhos e Apelação (UFCUA), Renato Alves, a instituição só tomou conhecimento desta medida através da Comunicação Social, tendo de seguida encetado contados com os CTT para se inteirar da situação.
Nesse sentido, segundo Renato Alves, a Junta “recebeu por duas vezes representantes dos CTT que afirmaram que, independentemente da nossa vontade, iam encerrar esta estação de Correios e entregar o serviço a outros privados – papelarias ou estabelecimentos comerciais - que pudessem recolher as cartas e prestar alguns serviços postais à população”, explicou.
Perante tais ameaças, o autarca garantiu que Camarate não ficará sem os Correios “nem que a Junta tenha que assegurar o serviço”, medida que foi posta em causa pelos restantes oradores e pela maioria do público, porque seria “financiar os CTT com dinheiro público”, criticaram.
Ainda que pouco consensual, Renato Alves garantiu que em última hipótese vão assegurar o serviço como já fazem em outros lugares, porque “foi eleito para defender os camaratenses”, concluiu.

 

Fernanda Santos, Comissão de Utentes de Serviços Públicos

A decisão de encerrar a estação de Correios de Camarate não se compreende e “surpreendeu a todos”, conforme defendeu durante a sessão, Fernanda Santos, representante da Comissão de Utentes de Serviços Públicos de Camarate, Unhos e Apelação.
«A primeira reação que tivemos é que era impossível. A nossa estação de Correios não tem falta de utentes, recebe cerca de 200 pessoas por dia, portanto não é por falta de movimento que ela vai fechar», afirmou Fernanda Santos, incrédula nesta decisão de encerrar uma estação que «já existe há mais de 40 anos e sempre no mesmo espaço», acentuou.
Segundo esta responsável, a Comissão de Utentes é «totalmente contra o encerramento dos CTT de Camarate ou que ele passe para outras mãos que não seja o do Estado». Fernanda Santos apelou aos presentes para a necessidade de se dizer “um não unanime” à ameaça feita pelo Correios, vincando que caso este encerramento se concretize «isto implica transportes e custos em deslocações às estações mais próximas».
No que toca à possibilidade de a Junta de Freguesia assegurar um posto de Correios, caso o enceramento dos CTT de Camarate se torne uma realidade, a Comissão de Utentes de Serviços Públicos posicionou-se, também, completamente contra. «Estamos contra a solução de passá-la para outras mãos», apontou Fernanda Santos, defendo ainda que qualquer outra solução «não vai ter as mesmas valências» e implicaria, no caso da junta, despesas extras que pesam no seu orçamento.

 

Bernardino Soares, presidente da Câmara de Loures

Para o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, esta medida ganha proporções ainda mais negativas quando é tido em conta a situação em matéria de serviços públicos por que passa o país.
«Este assunto é da maior importância, porque ao longo de muitos anos no nosso país, aqui no nosso concelho e na nossa freguesia foi se assistindo a um encerramento progressivo de serviços públicos», lembrou o autarca, ao se dirigir ao público.
Bernardino Soares criticou duramente a privatização dos CTT, defendendo ainda que esta empresa deve voltar a ser pública. «A privatização dos CTT tem de ser revertida pelo Governo, porque os privados não estão a servir as pessoas, mas sim para ter lucro que depois é distribuído aos acionistas», referiu.
Segundo este autarca, a Câmara Municipal lutará até às últimas consequências para defender os interesses da sua população. «A Câmara aprovou por unanimidade uma moção contra este encerramento e fará tudo o que for preciso junto do Governo, da Comissão de Utentes, da população para exigir que esta estação não seja encerrada», garantiu à atenta em Camarate.
Sobre a possibilidade de se abrir um posto de Correios financiado pela Junta, em alternativa à estação de Correios de Camarte, o edil explicou que não se pode avançar para uma solução destas, como já acontece noutras localidades do Concelho.
«Eu acho que o que os CTT querem é ouvir que alguém está disposto a pegar no posto de Correios, porque assim alegam que vão embora, mas já há outra alternativa», avisou, reforçando que esta alternativa à estação de Correios «não é mesma coisa e é paga por todos nós», continuou.
Esta sessão de esclarecimentos contou ainda com a presença de Carlos Cruz, em representação do Grupo Parlamentar do PCP, de José Gusmão, em representação do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda e de Carlos Prazeres, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, que enalteceram esta luta dos camaratenses e defenderam, também, uma intervenção do Governo no sentido de recuperar os CTT para o domínio público.
Esta luta já teve vários capítulos, nomeadamente manifestações e entrega de uma carta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a sua visita à Escola Secundaria de Camarate, apelando à sua intervenção neste processo.


Denizio Boaventura

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