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Entrevistas

Nelson Batista, Presidente da Junta de Freguesia de Lousa.

"É urgente pensar Loures de outra maneira"

2 de fevereiro de 2020
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Foi recentemente reeleito Presidente da Comissão Política do PSD numa eleição com duas listas a concorrer, tendo tido uma vitória clara. Licenciado em Gestão, Contabilista de profissão, acredita que o candidato do PSD em 2021 tem de ser conhecedor do concelho e estar bem preparado. Não exclui a hipótese de avançar.

Que balanço faz do ponto de vista político deste ato eleitoral para a comissão política do PSD e do primeiro mandato?

As eleições foram muito importantes e diferentes das anteriores. A nossa primeira eleição foi fácil, sem lista concorrente esta foi disputada e permitiu uma boa troca de ideias.

Tivemos um primeiro mandato difícil. Andámos a «apagar fogos». Tivemos de arrumar a casa, com a saída de André Ventura, obrigou ao estabilizar de forças e relações entre autarcas e tivemos algumas questões a resolver nalgumas Freguesias. Foi tempo de perceber a realidade de cada uma das Freguesias e respetivos Autarcas e acompanhamento da Gestão Autárquica.

Considero o primeiro mandato muito positivo. Criámos grupos de trabalho para acompanhar os Vereadores, os Deputados da Assembleia Municipal, os eleitos nas Freguesias e núcleos.

Tivemos ainda duas eleições, europeias e legislativas. E posso dizer que correu bem. Trabalhámos muito e bem. Tivemos em Loures, a primeira ação de campanha a nível nacional para as eleições Europeias com Paulo Rangel o que demonstra a importância que Loures vai tendo para estrutura do PSD.

Porquê a antecipação as eleições para a Comissão Política?

Muitos criticaram a decisão.

Nunca tivemos nada na manga. Posso ganhar posso perder mas, acredito acima de tudo no trabalho. Como sabe sou contabilista. Se perdesse não haveria problema nenhum e quem ganhava também dignificaria o PSD de Loures.

O que me move é gostar muito do PSD.

Quando o Ângelo Pereira, presidente da distrital de Lisboa, veio a Loures afirmou que teríamos que ter os autarcas escolhidos e preparados para as eleições de 2021 no primeiro semestre de 2020. A comissão política decidiu que era essencial começar a preparar o futuro e só fazia sentido fazer escolhas a quem tivesse legitimado até 2021. Que fique claro, eu não tenho «sacos de votos». Só prometo trabalho. Não prometi lugares a ninguém. Nem antecipámos eleições para benefícios da nossa lista. Temos um projeto sim, mantemos a grande maioria das pessoas da anterior Comissão Política e estamos legitimados agora para preparar as autárquicas.  

A candidatura do Jorge Antunes foi muito bem-vinda e tenho grande estima pelo Jorge que considero um grande autarca. Pretendemos que as pessoas dessa lista continuem a trabalhar connosco. Neste projeto há espaço para todos.

Qual o programa que foi apresentado aos militantes do PSD?

O programa é lato. Destacaria alguns pontos, uns internos outros para o concelho.
Temos de dinamizar os nossos núcleos por terem proximidade das pessoas e das freguesias, não basta ter os melhores candidatos, temos de os ter também bem preparados.  Queremos estar mais perto da sociedade civil. Fazer um bom diagnóstico e apresentar boas soluções.

Temos um secretário geral adjunto, uma figura importante pois temos de operacionalizar e trabalhar bem os projetos mas, também a comunicação para conseguirmos chegar às pessoas.

Para o concelho pensamos na requalificação urbana do concelho que será a seu tempo detalhada em programa. Queremos uma nova política de habitação com arrendamento jovem, acessibilidade efetivamente para todos, articulada com a Área Metropolitana de Lisboa. Penso que o Metro é uma questão central. O Metro pode ser subterrâneo, de superfície. O importante é de chegar a Loures assim como a Sacavém e com parques de estacionamento o mais rapidamente possível.

A linha do Oeste é importante para Loures. Decisiva para um rápido e económico transporte com ligação à Gare do Oriente. Esta ligação por ferrovia permitirá a conexão entre a área de logística do MARL e alinha do Norte, e entre aquela e a zona Oeste, e será sem dúvida um vetor potenciador da transformação deste polo logístico, de dimensão local para supra regional e mesmo de importância nacional ou internacional nas vertentes de comércio e serviços. Apostamos em defender uma ligação por ferrovia entre Loures e a Linha da Azambuja, utilizando Sacavém como nó de ligação, permitindo a conexão de Loures e a linha do Norte e a Gare do Oriente e daqui ao Sul do País, a às linhas de Sintra e de Cascais.

Videovigilância, qualidade de vida e saúde setores centrais na segurança e bem estar dos cidadãos. Também as AUGI, Áreas Urbanas de Génese Ilegal merecerão a nossa atenção, bem como a consolidação dos taludes em nome da segurança das pessoas e bens, também as AIRU, Áreas Insuscetíveis de Reconversão Urbanística serão tratadas de forma conveniente. Não me vou alongar mais neste ponto embora tenhamos muitas ideias que a seu tempo serão apresentadas.

O PSD teve dois candidatos muito distintos, que referenciou, André Ventura em 2017 e Fernando Costa em 2013. Qual o perfil que traça para o candidato de 2021?

Alguém que conheça o concelho, as necessidades, as situações. Diria que um meio termo comparando esses dois candidatos. Foram dois bons candidatos que conseguiram numa primeira fase consolidar e numa segunda fase ter o melhor resultado de sempre do PSD em Loures para as autárquicas.

É cedo para pensar no candidato, mas terá de ser conhecedor do concelho, credível junto da população e que consiga cumprir o que vier a prometer.

O que consideraria um bom resultado 2021?

Na minha carreira e na minha vida em tudo o que entro é para ganhar. Todos dizem que sou louco, mas há sempre uma primeira vez. A população vai dar-nos uma oportunidade.
É altura da população ver que sabemos fazer e sabemos fazer bem.

Não me quero comparar com ninguém, eu sou eu, mas onde me meto é para ganhar. Vamos ter dificuldades em algumas freguesias, não acredito que vamos ganhar todas as freguesias. Temos de apresentar pontualmente novos candidatos para reforçar o nosso posicionamento.

Da sua leitura quais são as principais diferenças entre Carlos Teixeira e Bernardino Soares?

São pessoas completamente diferentes.

O facto de sermos oposição não quer dizer que tenhamos má relação com os opositores. Tive e tenho uma boa relação com ambos. Na qualidade de presidente de junta trabalhei bem com as duas gestões.

Temos é formas de pensar completamente diferentes.

Quando Bernardino chegou houve mudanças até significativas, mas se analisarmos bem o todo não tem corrido bem. Em termos de investimento as coisas não têm acontecido e o concelho está medíocre em muitas áreas. Acredito que as pessoas querem mudar.

Qual o maior elogio e crítica a fazer à CDU?

Não consigo fazer a análise dessa forma. Os programas são sufragados. Quem ganha governa.

O que está ser feito não é o programa do PSD e isso é o mais negativo. Temos de ter um concelho muito mais atrativo.

Claro que podemos elogiar algumas obras que foram feitas, o esforço de melhorar a rede viária, mas, na verdade, um esforço moderado.

Comparando Loures com outros concelhos vizinhos como faria a avaliação?

Se não mudarmos as acessibilidades, a imagem, o Turismo por exemplo nada vai acontecer de relevante. No turismo temos o Festival do Caracol, o Carnaval e pouco mais. Temos Mafra com um crescimento extraordinário e nós parecemos parados. Odivelas sempre nas bocas do mundo e com desenvolvimento e crescimento. É necessário um projeto mais ambicioso.

Quando vimos a zona ribeirinha de Vila Franca e a nossa percebemos que há falta de investimento, falta de visão, falta de vontade. Há situações que têm de ser mudadas na forma de pensar.

Porque não fazemos o Posto da GNR em Bucelas?

Em Mafra já estava feito de certeza. A CDU diz que é da responsabilidade do Estado Central. Estamos a pensar pequeno. Este investimento tem de ser feito. O mesmo nos centros de saúde, nas ciclovias, a nível cultural e científico o problema é o mesmo…

Tem que haver investimento tem de haver uma visão completamente diferente.

Já se pensa numa nova reorganização administrativa?

Já tivemos uma reunião com os nossos autarcas. Há freguesias que devem continuar como estão e outras devem ser desagregadas. Mesmo na ANAFE já se discute o assunto.

Em breve virá para cima da mesa, porque esta reorganização não trouxe os efeitos desejados. Em Loures teremos de ver caso a caso e queremos ouvir as populações. Há situações que claramente foram mal agregadas.

Que futuro político vê para si no concelho?

Seguramente vejo-me sempre do PSD seja em que em função for. Quero servir o concelho de Loures. Trabalhar para Loures e para os Lourenses e sempre com o PSD. Seja eu ou outro o candidato ao que quer que seja. Sendo Presidente da Comissão Política poderei sempre ter a responsabilidade de me candidatar ao que for necessário.  Estou disponível para tudo.

Acredita que outra força partidária pode eleger um vereador para a Câmara Municipal?

Pode acontecer. Depende muito também da evolução na Assembleia da República dos novos partidos. vSe forem eleitos serão. Nós estaremos sempre cá para trabalhar e para nos adaptarmos à realidade.

Como vê a liderança do PSD Nacional numa luta dividida?

Apoiei o Rui Rio.

O Miguel Pinto Luz foi o único candidato que veio a Loures e, acho que é parte do futuro do PSD. O Rui Rio é quem reúne melhores condições para liderar o PSD e governar o país. Não é bom andar a mudar de líder sistematicamente, já tivemos 18 líderes desde 1974.

Conheço Rui Rio há muito tempo. Desde a apresentação do anuário dos municípios em que pude comparar o Rui Rio e o António Costa no exercício das funções de Presidentes dos seus municípios. Percebi que Rio era muito bom.  

Muito melhor do ponto de vista técnico que António Costa.  Se lhe derem a oportunidade de ser primeiro ministro as pessoas vão ficar muito satisfeitas.

Como vê o futuro de Portugal a curto e médio prazo?

Se o atual Governo não se acautelar e continuar a  ceder aos seus parceiros de governação poderá comprometer o futuro do país. Julgo que aqui o PSD é fundamental permitindo acordos. E aqui eu penso sempre em primeiro lugar em Portugal e nos Portugueses por isso aceito sempre fazer acordos para que Portugal tenha presente mas, acima de tudo um bom futuro. Temos de ter bons salários mas, temos de produzir e ter massa crítica. Ou melhoramos a nossa prestação como país, ou comprometemos o futuro.

O PSD merece governar o país quando as coisas estão melhor e não só salvar-nos durante a crise.

Aqui em Loures também merecemos uma oportunidade. E acredito que a vamos ter.

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