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Pedro Santos Pereira – Director
Pedro Santos Pereira
Director

Tolerar, respeitar ou compreender

Valores

6 de agosto de 2016
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Estas são palavras, teoricamente, de boa índole que estamos habituados a proferir e a ouvir. Mas terão todas o mesmo efeito, provocarão, em qualquer circunstância, esse efeito?

Nem sempre, creio eu. Todas elas têm efeitos diferentes e é-nos comum ouvi-las pelos mesmos motivos e com mensagens semelhantes.

Tolerar, que nos parece à partida uma palavra positiva, mais não significa que sofrer o que não deveríamos permitir ou o que não nos atrevemos a impedir. Como podemos perceber não tem muito de positivo, sofremos para evitar males maiores. Muitas das vezes utilizamo-la para explicar a nossa relação com pessoas, grupos ou comportamentos. Podemos tolerar de um prisma superior ou inferior, mas não deixa de ser um consentimento, seja por incapacidade, seja por presunção. Seja de que forma for, é algo que não nos pertence, que é externo.

A mesma coisa se passa com respeitar. É um sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém. Pode também significar apreço, consideração, deferência, acatamento, obediência ou submissão. Também aqui há sentimentos menos positivos, porque partimos sempre de um plano de inferioridade e somos excluídos do processo.

Como tal resta-nos o compreender. Abranger, conter, entender, perceber ou depreender são alguns dos sinónimos que, antes de mais, nos colocam como parte integrante, passamos a fazer parte, ou a perceber, a mecânica. Com isso, conseguimos ter mais conhecimento e identificar causas e consequências. Entendemos melhor os problemas, os motivos e, com maior facilidade, chegamos às soluções.

Creio que é isto que nos falta em muitos momentos, compreender.

Num mundo onde toleramos ou respeitamos, muito poucas vezes compreendemos. E isto começa em nossa casa, não precisamos de sair fora de portas para que isto aconteça. Seja com os pais, filhos, cônjuges ou amigos muitas das vezes toleramos e respeitamos, ou seja colocamo-nos fora do processo. Se assim somos com os que nos são próximos, mais imediato se torna com os que nos são distantes. Com isto apenas quero dizer que nos devemos interrogar constantemente, porque sentimentos que nos parecem positivos nem sempre o são. Preferimos não compreender ou perceber, porque é mais fácil tolerar ou respeitar, pois não nos obriga a ir ao fundo do tema. Assim abdicamos da partilha, do conhecimento e da resolução de alguns problemas. Independentemente de estarmos rodeados de pessoas, este tipo de comportamentos isola-nos e exclui-nos, na maior parte das situações, por opção nossa, tornando-nos solitários. Numa altura de descanso, para muitos, podemos sempre tentar compreender, até porque, provavelmente, estaremos rodeados de pessoas constantemente. Se o fizermos, quase de certeza, iremos perceber muito mais coisas, inclusive atitudes do passado.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico.

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