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Pedro Santos Pereira – Director
Pedro Santos Pereira
Director

Crónicas Saloias

Uma prenda

30 de novembro de 2017
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Dezembro é um mês em que as despesas aumentam. Um mês de presentes, de alegria, de reconciliações, de família. Imbuído deste espírito, apesar de ainda haver alguma distância para o Natal, desejo uma prenda no sapatinho. Uma oferenda que não tem de ser exclusiva e que pode, e deve, ser partilhada. Nem precisa, nem deve vir directamente para o meu sapato ou meia, pode ir directamente para a Apelação, mais precisamente para a Quinta da Fonte e mais direto ainda, para o Teatro IBISCO. E que prenda é essa?

É o apoio de todas as forças vivas para uma associação que faz um trabalho de excelência. Não sou eu apenas que o digo, é o Alto Comissariado para as Migrações, a Gulbenkian, o Barclays, o ISCTE, o IPDJ, entre outros. Um dado comum a todas estas instituições é que não são do Concelho. Temos e devemos fazer mais. O IBISCO é uma academia de representação que, dia-após-dia, vai elevando o nome do Município. E não se foquem apenas na parte social, porque o trabalho desenvolvido é artístico, a parte social é apenas mais uma das valências. É triste vê-los “abandonados” pela nossa comunidade. É reconfortante vê-los reconhecidos por outras comunidades. Os santos da casa também fazem milagres.

Isto é um apelo para reconhecermos, de forma clara, a qualidade do que desenvolvemos, não um pedido de esmola. Aliás, esmolas são eles que as dão, ao acederem a algumas solicitações para representações gratuitas.
Por isso apelo a todos os órgãos autárquicos, começando no Município e terminando nas juntas de freguesia e ao tecido empresarial que olhem para estes meninos e para quem lhes dá ferramentas para sonharem e concretizarem sonhos. Não olhem para eles apenas como um bom resultado social, vejam-nos também como artistas que merecem ver reconhecido o seu talento. Não por simpatia, mas pela qualidade que evidenciam.
Para a Câmara é uma questão de prioridade, não financeira. Optar entre a produção de um espectáculo dos Trovante, uma banda que é referência para mim, e o IBISCO, para mim é clara a resposta. Até porque os cerca de 45 mil euros, mais IVA, pagos pelas duas horas de duração do espectáculo, davam para dois anos de Teatro IBISCO. Se fosse possível assistir aos Trovante e apoiar este Teatro seria perfeito, caso só dê para um, privilegiem-se os munícipes.

Para as juntas de freguesia é a mesma coisa, em vez de se contratar fora, contrate-se internamente. Até porque a qualidade está garantida, tal como a pertinência dos temas. Se na Gulbenkian, no ISCTE, no IPDJ os querem ver actuar, porque é que nas nossas localidades, escolas ou espaços culturais isso não acontece? Se pagamos às associações provindas do exterior do Concelho, porque é que queremos que os nossos actuem graciosamente?

Para as empresas apenas relembro a sua responsabilidade social, cada vez mais esquecida e que não ajuda ao equilíbrio social pretendido. Quanto mais abertas estiverem à comunidade, mais reconhecidas serão. O lucro não pode ser um objectivo único, apesar de ser de extrema importância. Há, felizmente, muitas empresas sedeadas em Loures que podem e devem ter uma relação mais próxima com o meio que os rodeia. Não faz sentido estarem num local apenas por razões logísticas ou fiscais.

Digo isto porque a vontade e a disponibilidade são como uma corrida de longa distância. No início entra-se com a energia toda e não é necessário qualquer tipo de apoio, mas com o tempo as forças diminuem e são precisos estímulos. Seria uma tristeza se se esgotassem algumas energias. Mas o Ser Humano tem tendência para dar valor, apenas, àquilo que perde, pois enquanto tem desvaloriza ou relativiza.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico.

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