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Pedro Santos Pereira – Director
Pedro Santos Pereira
Director

A análise ao resultado das autárquicas

“Furacão” Ventura e “Rei” Leão foram forças da natureza

9 de outubro de 2017
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Estas eleições em Loures foram pródigas em surpresas, desde logo pelo mediatismo nacional que tiveram. O Concelho está confuso na forma as forças políticas estão distribuídas, mas Bernardino Soares, apesar das limitações negociais que vai ter, já demonstrou ser um homem de consensos, tanto à esquerda como à direita. E como sabemos, o que hoje é verdade, amanhã poderá não ser bem assim…

Vou deixar aqui cinco pontos que, para mim, foram dos mais relevantes nestas Eleições.

1. O vencedor foi Bernardino Soares. O lugar mais desejado e com mais Poder é o de Presidente do Município e esse foi alcançado pelo candidato comunista. Foi uma vitória que lhe permite manter o Poder, mas que perdeu força. Primeiro porque perdeu um vereador, depois porque a população reagiu ao apelo de maioria absoluta com um rotundo “Não” e, por fim, porque foi a pior percentagem de votação de um presidente, assim como o único eleito que baixou do primeiro para o segundo mandato. Não se pode ganhar sempre por 4-0, por vezes tem de se ganhar por 2-0, segundo Bernardino Soares. A verdade é que o Presidente nunca venceu por 4-0, nem por 2-0, pois em 2013 ganhou por 1-0, numa partida onde as possibilidades eram curtas e voltou a vencer pelo mesmo resultado, em 2017, só que as expetativas, agora, eram muito superiores. Como diria alguém, foi “poucochinho”.

2. O principal responsável por esta perda de força do Presidente foi André Ventura. “Furacão” é um cognome que lhe assenta bem, pois provocou uma ventania que despenteou o País, sendo que o epicentro foi a votação para a Câmara Municipal de Loures. Não deixou Bernardino crescer, dizimou as hipóteses de Sónia Paixão, a principal “despenteada”, desculpem, prejudicada, e ainda teve força para arrastar todos aqueles que faziam parte da sua Coligação nas outras eleições. A exceção foi Moscavide e Portela, mas aí já havia outro tipo de fenómenos da natureza. Alcançou mais um vereador e foi responsável pelo aumento da representação social-democrata no Concelho.

3. Os resultados para a Assembleia Municipal de Loures foram surpreendentes, dando ao socialista Ricardo Leão a vitória. Apesar de não ter subido em percentagem, em comparação com 2013, Ricardo Leão manteve-se, praticamente, firme e hirto, que nem uma verdadeira barra de ferro, ao “furacão” Ventura. Mas foi mais longe, sendo o número dois na candidatura socialista à freguesia de Sacavém e Prior Velho, ainda logrou alcançar uma vitória com maioria absoluta, deixando a oposição com bastantes “arranhões”. Resultados que reforçam o Poder no Concelho, tanto externo como interno. Estas vitórias permitem-lhe dirigir os destinos do Partido no Concelho, de forma tranquila, calando a contestação interna. Quem estava à espreita vai ter de recolher.

4. Ressalvar que nada disto era previsível há quatro meses atrás. O vencedor natural seria Bernardino (confirmou-se) com uma vitória maior (longe disso), Sónia Paixão iria ter mais votos que João Nunes (errado) e o PSD, provavelmente, iria continuar a sua lenta curva descendente (aconteceu o oposto). Como se pode vislumbrar, fazer previsões é como atirar a uma presa, umas vezes acerta-se, outras não. E não depende só de quem atira, mas também do instinto de quem está na mira. Apesar de não ser caçador foi esta a alegoria que me veio à cabeça.

5. Notas finais para Ricardo Lima, que destronou o PSD em Moscavide e Portela, aqui era previsível após as guerras internas no partido laranja, mas venceu e aumentou a sua votação, não triunfando apenas por efeitos colaterais. Curioso como dois dos vereadores mais contestados externamente, Ricardo Leão e Ricardo Lima, em função dos seus desempenhos de 2009 a 2013, renasceram das cinzas quem nem Fénix. Querer enterrar quem está vivo, por vezes, dá nisto. Outra nota para Sónia Paixão, que não perdeu competência nem qualidade, seguramente que conhece o Concelho muito melhor que André Ventura, por exemplo, mas demonstrou algumas fragilidades na luta política, fruto das dificuldades em sair de um “furacão” instalado, o que lhe valeu um resultado inesperado, acima de tudo pela queda em relação a 2013. Por fim uma palavra para Fernanda Santos, juntamente com Sónia Paixão serão as duas maiores embaixatrizes de Marcelo Rebelo de Sousa em Loures, fruto da simpatia e sorrisos que distribuem, com isto não pretendo, de forma alguma, desprestigiar as qualidades políticas que ambas têm e que são evidentes. Apenas quero dizer que, a sua “despromoção” de número um para número dois na lista da CDU para a Assembleia Municipal resultou em… derrota.

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