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Pedro Santos Pereira – Director
Pedro Santos Pereira
Director

Crónicas Saloias | A opinião de Pedro Santos Pereira

Democracia = Poder do Povo

4 de setembro de 2017
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Começo este texto por esclarecer a ausência de três dos dez candidatos à Câmara Municipal de Loures. Em relação ao candidato do Loures – SIM (coligação entre o Partido Democrático Renovador e Juntos Pelo Povo), Mário Pontes e do PCTP/MRPP, João Resa, não obtivemos qualquer resposta aos e-mails enviados para os respectivos partidos, até à data de fecho desta edição. Em relação ao candidato do Nós, Cidadãos!, Nélson Simões Batista, foi grande surpresa que, próximo da data de fecho, tivemos conhecimento que já não era candidato à Assembleia Municipal (informação que nos foi veiculada pelo próprio Partido), mas sim à Câmara Municipal. Neste caso, já não houve possibilidade, em tempo útil, de apresentar as propostas do candidato.
Feito este esclarecimento, sem dúvida importante, passo para o ponto seguinte que, como não poderia deixar de ser, são as próximas autárquicas.
Hoje não vou falar dos candidatos, já o fiz na edição passada, mas dos eleitores.
O afastamento entre quem elege e quem é eleito tem vindo a dilatar-se, o que já se tornou banal, apesar da classe política assumir que está muito preocupada com esta situação, pouco ou nada tem feito para a inverter, mas a isso voltaremos noutra circunstância. Mas é fácil culpar os políticos por uma omissão que é nossa. O dever e a obrigação pertence-nos.
Poderia falar das pessoas que perderam a vida a conquistar este pleno direito que temos, ou dos povos que ambicionam chegar a este patamar, mas isso, apesar de ser extremamente relevante, creio que todos temos noção.
Por vezes, parece que não temos consciência é do Poder que temos! Numa altura em que muito se fala de Igualdade, em certos casos levada a patamares pouco tolerantes, ou mesmo compreensíveis, não há outro momento em que esta mesma Igualdade se expresse de forma tão clara, simples e objectiva. Todos valemos o mesmo, independentemente da cor, da raça, da crença, do clube, da condição social, da condição económica, do local onde nascemos, da capacidade intelectual, enfim, do que quisermos. Por isso não entendo algumas pessoas que dizem “não vou votar, o meu voto não faz diferença, é só mais um”. É essa a beleza deste direito, é que todos valemos o mesmo e há que perceber e valorizar que isso é um Poder que nós temos numa decisão importante, que não nos é dado em mais nenhuma situação.
Não podemos continuar a desvalorizar os nossos direitos e as nossas crenças, não podemos querer um Mundo mais equilibrado e repartido nas mais diversas áreas e continuarmos a desprezar o pouco que já foi alcançado nesse sentido.
É inadmissível, em 11 eleições autárquicas, apenas por duas vezes o candidato eleito ter vencido a abstenção e já lá vão mais de 30 anos desde a última. Estas derrotas consecutivas, em que quem não vota tem maior percentagem que o vencedor, são um atestado de incompetência a nós mesmos, uma demissão das nossas obrigações, uma falta de respeito por quem lutou por este direito fundamental e por aqueles que lutam por ele e não o alcançam.
Infelizmente, é próprio do Ser Humano só valorizar aquilo que perde, até lá vale pouco ou nada…

P.S. Só queria relembrar e fazer a devida homenagem ao nadador espanhol Fernando Álvarez que, após lhe ser negado “um minuto de silêncio” em memória das vítimas de Barcelona, cumpriu-o na mesma, abdicando da discussão da vitória e saindo 60 segundos depois dos companheiros de competição. A justificação que lhe foi dada pela Organização do Mundial de Masters de Budapeste foi que não se podia perder um minuto. Pois bem, perderam-no na mesma e, mais que o minuto, perderam a oportunidade de homenagear aquilo que de mais valor temos, a Vida. Só porque UMA única pessoa, em determinado momento, prescindiu dos seus objectivos individuais em prol de uma memória colectiva.

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