Anuncie connosco
Pub
Opinião
Pedro Santos Pereira – Director
Pedro Santos Pereira
Director

Crónicas Saloias, a opinião de Pedro Santos Pereira

A arder

7 de agosto de 2017
Partilhar

Esta expressão nada tem a ver com os fogos que assolam o País, mas sim com um estado de espírito.
Este último mês tem sido quente em função das eleições autárquicas que se avizinham.
Um dos grandes responsáveis é o candidato André Ventura que, após duas entrevistas, colocou Loures no mapa, mas pelas piores razões. A responsabilidade foi o ataque feito à comunidade cigana, através de uma descriminação objectiva, pois foi a única etnia referenciada em problemas que ultrapassam a esfera racial e são representativos das dificuldades financeiras existentes nos bairros sociais, independentemente de quem os componha. Não são cerca de mil ciganos que são a essência dos problemas de um Concelho com mais de 200 mil habitantes, ou 40 a 60 mil que provocam danos irreparáveis num País com mais de 10 milhões de habitantes. É fácil “bater” nos ciganos, há cinco séculos que é assim, difícil é resolver os problemas. É uma vergonha para nós, como País, que mantenhamos esta atitude discriminatória sobre uma etnia durante meio milénio e não tenhamos encontrado soluções. Também não é abonatório para os ciganos que, em 500 anos, não se tenham conseguido integrar, se bem que a maioria tem sempre uma responsabilidade maior, ou não fossem mais e tivessem uma força superior.
Uma atitude populista, como afirmam muitos, alguns deles até, paradoxalmente ao que afirmavam, aproveitaram a boleia desse populismo, demonstrando um espírito oportunista para aparecerem, como é o caso de Fabian Figueiredo. O candidato do Bloco de Esquerda aproveitou estas declarações discriminatórias para se mostrar, independentemente de prolongar o discurso sobre este tema, por si só já nefasto para a comunidade atingida. Mas as vítimas ficaram para segundo plano, como é costume, são danos colaterais. Para defender os ciganos não é necessário anunciar o que se faz, basta fazer a denúncia nos locais competentes para o efeito, sem andar a apregoar a defesa dos mais frágeis. Isso é que é defender as vítimas, protegê-las.
Mas houve mais oportunistas, caso de António Costa que fazendo-se passar por objetor de consciência (???), veio aproveitar a deixa para levar o tema para o confronto político nacional. A desgraça já estava feita, mas o Primeiro Ministro ainda não estava satisfeito, havia dividendos a recolher apesar da sensibilidade do tema. Finalmente Loures dava-lhe uma alegria, aquele Concelho em que perdeu uma eleição e que faltou à apresentação da candidata do seu partido, apesar de estar anunciado. Mas aqui não podia faltar e até enviou Ana Catarina Mendes para uma conferência de imprensa com Sónia Paixão, abafando a segunda completamente. Parece que André Ventura tem razão numa coisa (tem em mais), o município de Loures parece ser pouco relevante para o Partido Socialista, pelo menos nacional, que nada faz por Sónia Paixão e ainda se aproveita do “seu” Concelho para fazer política nacional ignorando-a.
Destaque para a posição da CDU e do CDS neste processo, os primeiros demarcaram-se sem grande alarido, não se aproveitando do tema e os segundos saíram da coligação “Loures Primeiro”, mas sem mais declarações incendiárias.
Mas André Ventura, noutro momento, qual verdadeiro furacão, fez mais uma denúncia, a utilização de dinheiros municipais, por parte da CDU, para inquéritos de satisfação e popularidade. Nem me vou referir a este tema em concreto, apenas referir o que se passa nas Condecorações Municipais. Um evento em que a Câmara investe recursos financeiros próprios, numa atitude, presumivelmente, nobre de reconhecer o mérito dos seus munícipes, ou de pessoas e instituições externas que se destacam no Concelho, mas que faz desse momento uma atividade de propaganda, retirando toda a essência positiva dos objectivos delineados. “Aproveitam-se” dos homenageados e das pessoas que os acompanham para se auto-elogiarem. Imagine estar a assistir à cerimónia dos Óscares em Hollywood e os vencedores não terem a oportunidade de discursar? Ou que a Academia de Artes e Ciências, que é quem organiza a cerimónia dos Óscares, era a única que tinha o direito de usar a palavra e que, em oito páginas de discurso, apenas reservava um parágrafo, inferior a meia página, para os condecorados? E que reservava, para as mais de sete páginas seguintes, um rol de elogios ao actual Executivo? E que aproveitava pelo meio para atacar o anterior Executivo e actuais candidatos?
Não é isto usar dinheiros públicos em promoção própria?
Não é isto inverter um evento com instintos nobres num “comício”?
Não é isto transformar os actores principais (homenageados) em actores secundários e o actor secundário (Presidente de Câmara) em actor principal?
Enfim, este é só um exemplo.
Mas o artigo já vai longo e as férias, para boa parte dos nossos leitores, já começaram. Não percam mais tempo usufruam e esperemos que em Setembro tudo esteja mais ameno. Boas férias.
Boas férias.

Última edição

Gala Notícias de Loures

Gala | Notícias de Loures

Opinião

Eleições

Newsletter