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Pedro Cabeça – Advogado
Pedro Cabeça
Advogado

Os melancólicos dias de Outono

Outubro de Trabalhadores

1 de outubro de 2016
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Depois do artigo de Setembro, de numerosas e temerosas reacções, seria talvez prudente escrever sobre os melancólicos dias de Outono, evitando assim algum percalço na saúde democrática daqueles que a têm pouco resistente mas, a mim, não me parece muito saudável escolher temas única e exclusivamente para evitar apoplexias a frágeis democratas. Como sou (demasiadas vezes) irreverentemente imprudente, hoje deu-me para escrever sobre a bandeira teórica que ouvimos em discursos, artigos, programas eleitorais, o elogio aos trabalhadores da autarquia em contraposição com a prática.

E a prática tem demonstrado nestes últimos anos (de que estes últimos três não são excepção) que, para além dos violinos desafinados (devem ser os de Chopin), poucas têm sido as medidas concretas, não só em prol dos trabalhadores, mas também indirectamente em prol dos munícipes pela boa gestão de tão preciosos recursos humanos. Não temos dúvidas que os trabalhadores do município de Loures são, regra geral, bons trabalhadores, isso está fora de questão, mas os trabalhadores precisam bem mais do que elogios meramente eleitoralistas ao trabalho que desenvolvem.

Os trabalhadores do Município precisam de boas condições de trabalho, precisam de alguém que os ouça (que os ouça verdadeiramente) e dê corpo à visão de quem anda no terreno todos os dias, gente que tem opinião e ideias para novos caminhos, mas que na maioria das vezes é ignorada por chefias surdas, por umbigos ruidosos, ou simplesmente por usurpadores de ideias que as masca- ram como suas.

Mais do que discursos inflamados pela graxa do momento é preciso colocar realidade nessa virtualidade dos rendilhados. Há anos que defendo ser elementar os recursos humanos da autarquia estarem sob a alçada do Presidente, dando um sinal claro e concreto sobre a verdadeira importância desta enorme massa de gente, que todos os dias, mais ou menos motivados, veste a “camisola” da autarquia.

Parafraseando um amigo também cronista deste jornal “Se eu fosse Presidente” ouviria (verdadeiramente) os traba- lhadores, não assobiando para o lado quando as gritantes situações de injustiça atingem os mesmos, pois infelizmente há arautos de demagógica defesa dos direitos dos trabalhadores que parecem fazer da frase “faz o que eu digo não faças o que eu faço” o seu lema de vida.

É preciso que os elogios e os direitos dos trabalhadores extravasem a folha de papel da demagogia eleitoral ou pseudo-ideológica e se tornem reais, sem intermediários organizados que, mais do que um canal entre os trabalhadores e os executivos, são muitas das vezes um vergonhoso muro. Por isso, sobre os trabalhadores da autarquia devemos concluir pela sua competência, mas não podemos dizer isso e depois no dia-a-dia ignorar os mesmos, ou persegui-los, ou de alguma forma chantageá-los ou simplesmente negar direitos básicos em nome de algo que não é entendível.

Usando uma linguagem vagamente desportiva, reconhe- cido o valor individual dos jogadores, o que precisamos mesmo é que estes joguem pelo esquema proposto pela equipa técnica e para isso é preciso que esta seja reconhe- cida e, claro, tenha estratégia. Mais uma vez os nevoeiros “sebastiânicos” parecem fazer o Poder ignorar a realidade.

Este colunista escreve em concordância com o antigo acordo ortográfico.

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